Há certos bairros em que fica muito difícil dissociá-los de uma importante obra arquitetônica. Em São Paulo existem vários, um deles é, certamente, a Vila Leopoldina, cravada na zona oeste de São Paulo e que nos últimos anos tem se notabilizado por se tornar um bairro emergente pela grande quantidade de prédios de alto padrão que lá vem sendo construídos, e que tem mudado sensivelmente a cara do bairro.

Em meio à tantas transformações, um de seus símbolos está com os dias contados: a Ceagesp. Até metade da década de 1960, o principal entreposto da cidade era o histórico Mercado Municipal Cantareira, no Parque Dom Pedro, região central da cidade, e que está firme por lá até hoje. No entanto, como as inundações em suas imediações eram constantes, e a perda de mercadorias era muito grande. Aos poucos, grande parte dos comerciantes optou em se transferir para as instalações que ainda estavam sendo construídas, no então, inóspito e distante, o bairro da Vila Leopoldina, ainda estava em construção. Isso foi no ano de 1966.

A partir de 1969, quando foi inaugurado, o Ceasa foi definitivamente incorporado à paisagem do bairro paulistano. A Ceagesp era vista como muito interessante pela localização próxima da marginal Pinheiros, ainda com tráfego bem moderado. No entanto, com o passar das décadas aquilo que era considerado vantajoso deixou de ser, devido ao crescimento desenfreado não somente do entorno, como também do próprio bairro e, como consequência natural, do trânsito, o que começou a dificultar a circulação dos caminhões para descarregar e levar mercadorias.

Assim, foi definido no final do ano passado, que somente resta a Ceagesp ir para outro lugar. A ideia da prefeitura é de usar o local para construir um parque, aliás mais um, pois já existe o Villa Lobos, e também destinar outra parte do terreno para a construção de moradias populares. Além disso, outro fator que deve convencer os vereadores de aprovar essa mudança é para desafogar a Marginal Pinheiros e a Tietê da grande quantidade caminhões. A ideia é transferir a Ceagesp para um terreno próximo do Rodoanel, mas que ainda não foi definido, mesmo porque um dos motivos que levaram o governo estadual a construir o Rodoanel é justamente para privilegiar a circulação de caminhões, desafogando as marginais. Sem data definida para mudar, a Vila Leopoldina vive os estertores de perder uma parte de sua identidade. #Negócios