O setor industrial, que é responsável por 40% da água disponível para abastecimento do litoral paulista e da Grande São Paulo, já afirmou que está ocorrendo um movimento de empresas deixando o Estado. Antonio Carlos Zuffo, especialista na área de recursos hídricos na Unicamp, acredita que a água de São Paulo deve acabar no fim de março ou início de abril, caso seja mantida a média de consumo.

Segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) em agosto de 2014, 67,3% das mais de 400 indústrias ouvidas preocupavam-se com um possível racionamento. E quase 55% delas afirmavam não ter fonte alternativa de água, como poços ou políticas de reuso. 

Nelson Pereira dos Reis, diretor do departamento de meio ambiente da Fiesp, afirma que o êxodo de empresas do Estado de São Paulo se dá por outros motivos além da crise, como razões econômicas e fiscais.

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De acordo com ele, os custos para mão de obra no Estado são maiores por causa da qualidade de vida mais alta. Além de, claro, a crise hídrica adicionar dificuldades para as indústrias.

A Fiesp também afirma que há mais de 40 projetos de conservação de água e reuso no Estado, responsáveis por cerca de 10 milhões de litros economizados a cada ano. A empresa diz que está sempre em busca de melhoras nos procedimentos, mas que depende das concessionárias e órgãos regulares, o que acaba deixando o processo mais lento. 

Menos água, menos empregos

Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), concorda com as declarações do dirigente da Fiesp. Ele acredita que a tendência atual é de êxodo comercial e industrial no Estado.

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De acordo com o levantamento feito pela Associação Comercial de São Paulo, novembro e dezembro de 2014 já apresentaram recuo na criação de empregos. E isso também vale para os empregos temporários, que são mais populares nessa época de fim de ano.

Novo paradigma

Pesquisa do Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem) divulgou na última semana de janeiro de 2015 que quase 70% dos paulistanos já passaram por algum tipo de problema sobre o abastecimento de água. Esse resultado deixa claro que todo cidadão deve economizar, repensar o uso da água e reaproveitar sempre que possível.

Mas apenas isso não basta. Segundo a ONU, o consumo residencial de água é de apenas 4%. O agronegócio é responsável por mais de 70%. Por isso, o setor agropecuário, assim como o comercial e industrial, também têm que buscar formas de economia e reuso o quanto antes.