Responsável por abastecer mais de seis milhões de pessoas da região da Grande São Paulo, o sistema Cantareira registrou queda em seu nível total de reservatório, após sete dias se mantendo estável. Desde o dia 25 de janeiro, o sistema apresentava 5,1% da sua capacidade total e neste domingo, 1° de fevereiro, o nível caiu para 5%, segundo dados divulgados pela Sabesp. 

 No sábado (31), entre todos as represas, a Cantareira foi a que recebeu maior volume de chuva com 10,7mm. Apesar disso, o temporal não foi o bastante para evitar a queda no nível do reservatório que utiliza desde novembro a segunda cota do volume morto. 

A última vez que o nível do Cantareira subiu foi no dia 26 de dezembro.

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Desde então, o nível ou se manteve estável ou apresentava mais saída de água que entrada.  O sistema já faz uso da segunda cota do volume morto e durante o dia 12 e 25 de janeiro registrou a terceira maior queda desde a #Crise hídrica, que foi declarada no início do ano passado, quando ainda não utilizava nem a primeira cota do volume morto.

Nível dos reservatório hoje 

  • Alto Cotia - 28%
  • Alto Tietê - 11% 
  • Cantareira - 5%
  • Guarapiranga - 47,9%
  • Rio Claro - 28,8%
  • Rio Grande - 75%

Previsão

O sistema Cantareira está localizado em uma região geográfica em que os maiores volumes de chuva acontecem nos meses do verão, entre dezembro e março. Quando a chuva não atinge a média nessa época, a chance do sistema se recuperar durante os outros meses do ano é baixa, pois durante o outono e o inverno acontecem poucas, ou nenhuma, chuva.

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Ou seja, se durante o verão as chuvas ficam abaixo da média, é provável que só no verão seguinte o sistema se recupere. 

No Cantareira, a maior média de chuvas acontece, principalmente, durante janeiro. No entanto, nos últimos 'dois janeiros', choveu menos que a média normal que é de 260mm.  Isso porque um forte bloqueio atmosférico causou redução da chuva nos dois últimos verões, em 2013 e 2014 . Isso foi gerado por por anomalias de temperatura das águas nos oceanos Pacífico e Atlântico. A escassez de chuva nos últimos verões pode ser explicada por um ciclo de anomalia de temperatura maior do oceano Pacífico: a ODP – oscilação decadal do Pacífico.

A cada duas ou três décadas, o Oceano Pacífico, sofre variações de temperatura que interferem nos ventos, nas chuvas e na temperatura de muitas regiões do mundo. Segundo especialistas, a falta de chuva no Cantareira está ligada à ODP. Eles apontam ainda que níveis normais de chuvas só irão ocorrer na região em 2017.

A previsão preocupa a população que corre risco de passar por um racionamento 5x2, em que ficariam cinco dias sem água e dois com. O #Governo do Estado de São Paulo lançará em breve o edital de licitação da obra para transposição de águas do Rio Paraíba para o Cantareira.