O período de #Crise hídrica vivenciado por Estados do Sudeste do país é um dos mais graves da história. Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo têm enfrentado diversos problemas com a falta de chuvas, inclusive, no abastecimento de água das cidades.

Apesar das chuvas acima da média histórica registradas nos últimos meses, o cenário ainda é bastante preocupante. Mas, de acordo com um especialista em meteorologia, a atual situação de seca na região pode não ser momentânea. Paulo Etchichury, sócio da empresa Somar Meteorologia, que realiza consultorias especializadas, afirmou que a seca na região pode durar até 30 anos.

De acordo com o meteorologista, o clima da região é cíclico e atualmente passa por um momento de secas mais prolongadas, devido a um esfriamento sofrido pelo Oceano Pacífico nos anos anteriores. O atual cenário climático é similar ao ocorrido nos anos de 1940, em que também havia um menor volume de chuva. Etchichury afirma que tais ciclos podem possuir intervalos extensos, durando até 30 anos.

O especialista indica, ainda, que o fenômeno El Niño, que gera aquecimento do Oceano Pacífico, foi capaz de amenizar os efeitos da seca. Apesar disso, a quantidade de chuvas continua a ser insuficiente e a previsão para os próximos anos é semelhante. Etchichury, no entanto, considera que não há motivos para alarmismo. Ele acredita que o momento é de adequação à nova realidade de chuvas.

Agroindústria

Apesar das perdas dos setores agropecuários, Mauricio Antônio Lopes, presidente da Empresa Brasileira de Agropecuária, ressalta que o período intensamente seco serviu como estímulo à busca e incorporação de novas tecnologias por parte do setor, bem como ao fomento da produção de transgênicos no Brasil. A diminuição das chuvas torna os ciclos agropecuários menores e, portanto, de acordo com Lopes, há uma tendência em diminuir os ciclos da produção, como forma de adaptar-se a situação atual.

Crise de abastecimento

O Estado de São Paulo é o que mais tem sido afetado pela falta de chuvas. O Sistema Cantareira, seu principal reservatório, chegou a registrar apenas 3,5% de sua capacidade há alguns meses. O governo do estado tem procurado formas de amenizar o impacto de futuras crises de iguais proporções, mas, por enquanto, muito pouco tem sido feito.

Dos sete projetos apresentados pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), apenas um está em execução. Trata-se da ligação do Rio Guaió com a Represa Taiaçupeba, que foi iniciada em fevereiro deste ano. A obra tem como objetivo retirar cerca de 1000 litros de água por segundo do Rio e enviá-lo à Represa, quantidade suficiente para o abastecimento de 300 mil pessoas.