Na cidade de São Paulo, cerca de 500 ruas são fechadas por portões ou possuem tráfego monitorado a mando de seus moradores. São ruas como a Alberto Afonso Martins, localizada na Chácara Klabin, zona sul. Lá, três seguranças revezam-se na guarita de entrada, para controlar o acesso de estranhos às casas e prédios que compõem a rua, a qual já funciona como uma espécie de condomínio fechado.

Os problemas começam pelo fato de que, sendo pertencentes à Prefeitura e, por conseguinte, à população paulistana como um todo, as ruas não poderiam barrar qualquer pessoa que por elas quisesse trafegar. A decisão de vendê-las aos moradores baseia-se no princípio de que, deixando de serem públicas, poderiam ser administradas de acordo com a opção dos donos, no caso, os que nelas residem.

Os moradores, no entanto, têm demostrado resistência em relação à proposta. Eles temem que o custo para a compra das ruas seja superior às suas possibilidades de pagamento e desejam saber qual seria o valor exato da proposta. Outros, ainda, alegam que a funcionalidade dos portões é de dar segurança para os que residem nessas localidades e, portanto, é absurdo cobrar por algo que só tem a acrescentar para esses cidadãos, tanto mais se levar-se em conta a quantidade de impostos já pagos por eles.

A Prefeitura tem enviado aos moradores de algumas dessas ruas fechadas solicitações para que os portões sejam retirados ou readequados, de forma a permitir ao menos o acesso de pedestres. Em algumas delas, a Prefeitura chegou a avisar que caso a ordem fosse descumprida, ela mesma realizaria a remoção dos portões.

Apesar das controvérsias, a venda de ruas para moradores não é inédita. A Prefeitura de São Paulo já tem em seu histórico a venda da Oswaldo Imperatrice, também na zona sul da cidade, pelo valor de R$ 5,8 milhões. A proposta, feita por Gilberto Kassab, recebeu apoio do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad e teve o aval da Câmara Municipal em julho de 2014. A má situação das contas do município talvez seja decisiva na oficialização e progressão da ideia nos demais órgãos da prefeitura.