As unidades SENAC em São Paulo estão recebendo a exposição Anne Frank - histórias que ensinam valores. Na tarde de ontem, uma ex-colega de escola de Anne, Nanette, fez sua última palestra entre as unidades da grande SP (a exposição segue para o interior).


Filha de um homem que trabalha no banco e uma moça que dona de casa, fluente em quatro idiomas e atualmente com 85 anos, Nanette perdeu toda a família para os nazistas: seu irmão mais novo morreu em 36, o pai em novembro de 44 e o outro irmão em dezembro do mesmo ano. Sua mãe foi levada para um campo de concentração, de onde seguiu em um trem rumo a Suécia no dia 10 de abril de 45, e acabou morrendo 5 dias depois. 

Nannete teve uma infância feliz na Holanda, até que, em 10 de maio, foi invadida pelas tropas alemãs sem nenhuma declaração de guerra. Ela começa a palestra contando um pouco sobre tudo começou: escrito em 1924 e publicado em 1926, "Mein Kampf" (Minha Luta) foi escrito por Hitler e manifestava sua repugnância quanto aos judeus. Em 1933, Hitler foi democraticamente eleito, pôs fim às leis vigentes e instaurou outras, onde deixava a existência do antissemitismo muito clara: graças a ele, houve a criação de mais de 40.000 campos de concentração, ocupou mais de 19 países na Europa e aniquilou mais de 17 milhões de pessoas - entre elas havia comunistas, sindicalistas, anti-nazistas, prisioneiros de guerras soviéticas, deficientes físicos e mentais, franco maçons, homossexuais masculinos, padres católicos e testemunhas de Jeová, além dos judeus, que foram mais de 6 milhões, sendo que quase metade foram mortos na Polônia.

Bicicletas, transporte público e quase todos os meios de comércio e lazer foram extintos nesse período; portanto, os judeus contavam com doações e caridade enquanto permaneciam escondidos (como a família Frank, por exemplo, no anexo que posteriormente se tornaria famoso no mundo inteiro pelo sofrimento e #História ali passados), o que era um risco para todos, já que era proibido oferecer ajuda ou abrigo aos judeus.

A prefeitura de Amsterdã forneceu às tropas nazistas um mapa que indicava exatamente onde havia concentração de judeus, o que colaborou para que mais de 80% da comunidade judaica fosse exterminada no país.

Em 42, a BBC de Londres já divulgava a existência dos campos de concentração - que eram deploráveis, lotados, sem higiene e cheios de doenças, como a tifo, que matou muita gente, inclusive Anne Frank -, o que alertou a população judaica (eles eram enganados quanto ao seu destino quando convocados, simplesmente entravam no transporte sem saber qual o destino e nunca mais retornavam).

No fim de 40, muitos funcionários públicos foram demitidos (inclusive o pai de Nanette) e no ano seguinte 25 escolas foram construídas para atender apenas estudantes judeus. Foi aí que Nanette e Anne de se conheceram; voltaram a se reencontrar, posteriormente, em Bergen belsen, o campo na qual as duas foram presas e onde Anne morreu (podemos conferir uma pouco sobre o fim desse campo no livro "Libertação de Bergen belsen"). Nan conta que Anne era viva e tinha um talento para escrita - seu grande sonho era se tornar escritora. #Educação #Expo

Como "razão" de tudo isso, Hitler sempre fazia seu discurso da raça ariana. Quanto à isso, Nanette declara que "Não existe 'raça ariana', ou 'raça negra', existe 'raça humana' ". Por fim, ela alerta a importância do estudo de tudo o que aconteceu, para que isso jamais se repita, e encerra "O preço da liberdade é a constante vigilância. Obrigada."