O roteiro parecia o mesmo de junho de 2013, quando jovens insatisfeitos com o aumento das tarifas dos transportes públicos nas principais capitais brasileiras foram às ruas e eclodiram uma onda de manifestações que, literalmente, parou o país. Dessa vez, um protesto convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento de tarifas para ônibus, trens e Metrô para R$ 3,80 não acabou bem na noite desta terça-feira (12), na região central de São Paulo.

Por volta das 17h, os manifestantes já se concentravam na Praça do Ciclista e se mostravam prontos para darem início à marcha contra o aumento das tarifas. A confusão começou já depois das 19h, quando os agentes da Polícia Militar fizeram um cordão de isolamento para que não houvesse incidência na Avenida Rebouças.

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Na versão da PM, houve tentativa de rompimento do bloqueio, e a partir disso foi necessária uma intervenção.

Nesse momento, os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a #Manifestação e demover os protestantes do intuito de invadir a via bloqueada. Por meio do seu perfil oficial no Facebook, o MPL garante que mais de 15 pessoas foram feridas em decorrência da ação da PM. Ao todo, oito pessoas foram detidas e mais três seguiam sendo identificados até o fechamento desta edição.

Além das bombas de efeito moral, a PM também fez uso de balas de borracha para conter a manifestação. Em resposta, manifestantes atiravam garrafas em direção aos policiais. Alguns grupos buscaram abrigo se inserindo dentro dos prédios da região, enquanto outros fizeram barricadas com contêineres nas vias.

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Secretário defende ação policial

Alexandre Moraes, secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, defendeu a estratégia dos policiais na operação da manifestação e aproveitou a ocasião para tecer críticas ao MPL, que, segundo ele, não compareceu às reuniões prévias com os agentes de segurança.

“Os grupos manifestantes nos avisam com antecedência sobre os seus objetivos, até para que a gente possa organizar o traçado, como por exemplo cancelar linhas de ônibus, tirar lixos e pedras, que é sabido que são usados como armas. Mas, novamente, o MPL não se fez presente nessas discussões”, disse.

“Usamos bombas para dispersar o movimento, justamente para que pudesse ser evitado o uso da força pessoal e o confronto. Isso certamente deixaria os manifestantes machucados. Eram quase 2 mil pessoas tentando penetrar em um bloqueio policial, era preciso algum tipo de intervenção”, acrescentou, reiterando que não houve abuso dos policiais.

Na última sexta-feira (8), também houve um protesto contra o aumento da tarifa no transporte público em São Paulo.

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Mais uma vez, ocorreu confronto entre policiais e manifestantes – alguns deles, inclusive, mascarados. O antigo preço da tarifa era de R$ 3,50, e o aumento não tem sido bem recebido pela sociedade paulistana. Em junho de 2013, tanto o governador #Geraldo Alckmin quanto o prefeito da capital, Fernando Haddad, recuaram e desistiram do aumento que, à época, estava proposto. Mas, agora, não há nenhuma sinalização que indique para um recuo. #Casos de polícia