Nova tarifa gera preocupação de explosão inflacionária.

Começou no sábado, 9 de janeiro, o aumento de tarifas de diversos meios de transporte no Brasil. Em São Paulo, a tarifa de ônibus e metrô avulsas foi a R$3,80, representando um aumento de 8,57% desde o último aumento em 2015 quando foi a R$3,50. No Rio, a tarifa teve reajuste maior que a inflação na tarifa de ônibus, um reajuste de 11,76%. O aumento vem no início do ano juntamente com um grande número de aumentos. No mês de janeiro já incidem as despesas de IPVA, IPTU, matrículas em escolas particulares, entre outros que ainda não foram aferidos e regulamentados.

Governo indexa a inflação em preços controlados

A principal argumentação do #Governo paulista é que o índice é inferior à inflação oficial, no valor de 10,67% segundo o IPCA.

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O uso da inflação como justificativa para aumentar a tarifa, deve induzir uma explosão inflacionária, pois os preços controlados servem como base para vários preços não controlados, tais como salários e serviços que usam o deslocamento de pessoas por esses meios de transporte. O aumento do preço do combustível em reais pode ter sido o principal causador do no preço.

Porque o aumento de produtividade não reflete na tarifa?

A argumentação de recompor a explosão inflacionária anterior é extremamente fraca em termos de custo médio de usuário por quilometro rodado (um dos critérios para calcular o preço da tarifa), enquanto o barril de petróleo está em um dos menores preços desde o ano anterior, ultimamente inferior a US$40.00, no tipo Brent, quando já chegou a US$110.00. Outra característica é a criação dos corredores exclusivos de ônibus em SP, que devem ter reduzido o custo do consumo dos ônibus na cidade de São Paulo com redução dos tempos de viagens e número de paradas, mas esse valor não foi, aparentemente, incorporado ou significante na matriz de custo.

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O aumento do percentual de biodiesel no combustível deveria ter diminuído o custo também. O custo dos funcionários, que pode representar em torno de 50% dos custos totais do sistema, não tem recebido aumentos na mesma proporção devido ao incremento de uso de cartões, em substituição dos cobradores e redução do custeio de recursos humanos. Com as montadoras em crise, os preços dos ônibus também estão em baixa, reduzindo o custo para renovar a frota, geralmente subsidiado pelo governo.

Transparência nas tarifas: onde achar os cálculos da tarifa?

Sempre que o governo muda algo no transporte, ele utiliza o argumento que o investimento será revertido em favor do contribuinte e do usuário, mas esses últimos não têm observado nem melhoria na qualidade do transporte e nem redução dos custos no transporte. A população tem o direito de saber como é calculada a tarifa, acima dos interesses das empresas de transporte, pois boa parte do custeio do sistema de transporte, principalmente nas grandes metrópoles, é baseada nos impostos.

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Os sites do SPTRANS e da EMTU, em São Paulo, não informam os critérios de reajuste. O site de transparência deveria conter esses elementos, inclusive em relação ao discurso de produtividade que não aparece no custo da tarifa, indicando que o valor agregado de produtividade no sistema está sendo absorvido pelas empresas. O Movimento Passe Livre tem discutido em favor de uma tarifa zerada, pois entende que é um direito essencial para a movimentação nos centros urbanos e que o valor da passagem já está embutido nos impostos coletados e nos investimentos subsidiados. Em ano eleitoral, vale a pena reclamar sim! #Crise econômica #Crise no Brasil