Como se pode revitalizar e usufruir de um espaço degradado ou abandonado, mas de significativo valor afetivo para a comunidade que o circunda? O que sonhamos para a praça do bairro?

São algumas perguntas que um grupo de arquitetas fazem quando entrevistam os moradores que desejam não só resgatar o local, como restabelecer uma ligação de vida da vizinhança com o espaço, o alvo da transformação.

É a principal proposta do grupo “Acupuntura Urbana”, nome análogo à terapia oriental que se utiliza de agulhas. Ele busca tornar os espaços públicos mais saudáveis, aptos e integrados ao convívio social.

Num primeiro momento, as arquitetas fazem um levantamento com moradores sobre o que pode ser melhorado na região.

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Após a conclusão dessa fase, é instalado um mutirão para se colocar em prática as ideias discutidas.

Por trás disso, o “Acupuntura Urbana” emprega uma metodologia baseada em três princípios:

  • Mapeamentos afetivos;
  • Transformações urbanas;
  • “Ocupativações”.

A criação do grupo deu-se em 2009 pela arquiteta Renata Minerbo, que relata como foi construindo esse movimento: “No começo eram pequenas ações. Mas há três anos, eu decidi me demitir para me dedicar totalmente ao projeto. Eu queria juntar a arquitetura com o social”.

Hoje, os trabalhos desenvolvidos aparecem nos seguintes locais de São Paulo: Largo da Batata, Praça do Samba (no bairro de Perus), Parque da Água Branca, Avenida Paulista, região do Glicério, Ceagesp, entre outros.

Renata relembra o primeiro projeto em que o grupo se dispôs a participar: “Foi no Campo Limpo (zona sul de Sampa) com o pessoal da luta popular por moradia, mas chegamos numa abordagem de ‘viemos ajudar vocês e ensinar como se faz’.

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A gente foi enquadrado pelas lideranças, que questionaram nossa posição política e o que a gente achava que ia ensinar ali. Levamos uns tapas na cara, mas entendemos no fim que vamos lá muito mais para aprender com eles do que para ensinar alguma coisa.”

Com essa experiência, a arquiteta entendeu que a descrença das pessoas em atuar nas mudanças é uma das principais dificuldades encontradas. “A gente é educado a reclamar e achar culpados, em vez de ver o que já tem e potencializar isso”, disse.

O “Acupuntura Urbana” crê que a transformação ocorre quando se “bota a mão na massa” e os resultados aparecem. Segundo as componentes, o maior desejo do grupo é fazer com que as pessoas superem a falta de fé e percebam que é possível mudar a realidade. Ativar as energias positivas dos espaços públicos, gerando benefícios ao lugar e às pessoas que moram em seu entorno.

Uma conquista que acarreta uma realização. De qualidade de ação edificante e rejuvenescedora. Não sem passar pela etapa obrigatória dos obstáculos, da revisão de caminhos, busca de alternativas, reinvenções. Palavras que se encaixam a um futuro individual e coletivo. Por conseguinte, constrói-se uma Nação. #Inovação #Blasting News Brasil #Conectados