O Tribunal Superior do Trabalho condenou a empresa Volkswagen, montadora de automóveis com sede na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, a indenizar um funcionário no valor de R$ 15 mil. 

O empregado, que atuava como reparador de veículos na unidade do ABC Paulista, ficou enclausurado em uma sala com paredes de vidro por mais de dois meses após retornar de uma licença médica. 

Exposto aos comentários dos colegas por conta do 'aquário' em que se encontrava, o funcionário ouvia diariamente ofensas como "vagabundo" e "enrolador", visto que passava o dia sem trabalhar. 

Na ação judicial, iniciada no mês de fevereiro de 2008, o operário conta que, mesmo com restrição médica, estava liberado para voltar ao trabalho, mas a Volkswagen não fez sua realocação para uma tarefa apropriada à sua condição, deixando-o desocupado na sala envidraçada.

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Ainda segundo o relato, foram meses sem nenhuma atividade, curso ou treinamento. Uma condição indigna, de acordo com o rapaz, além de aguentar as piadas dos outros funcionários. 

Inicialmente, um juiz de São Bernardo condenou a empresa em primeira instância. Na sequência, o Tribunal Regional de São Paulo (TRT-SP) foi acionado e acabou por manter a sentença determinada. 

A Volkswagen recorreu então ao Tribunal Superior (TST), em Brasília, alegando que o funcionário se recusou a trabalhar nos serviços e setores que foram oferecidos. Os advogados da montadora alemã também alegaram que as eventuais ironias e brincadeiras de outros colaboradores não chegaram a causar qualquer dano moral. 

De acordo com relatório do ministro Mello Filho, testemunhas declararam que era hábito da empresa deixar funcionários ociosos em uma sala de vidro, sempre que retornavam da licença médica, em área de passagem dos outros trabalhadores.

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Confinados, os operários aguardavam ali uma nova tarefa por até seis meses. 

Por unanimidade, o TST determinou a condenação da empresa e a reparação, concluindo que houve abuso de poder do empregador, lesando a dignidade do funcionário.  #Negócios #Justiça #Grande ABC