Aprender por modelos é uma área da Psicologia Comportamental cujos estudos teóricos e experimentais são recentes, mas existem poucas demonstrações cabais do uso direto de tais conceitos na vida pública do munícipe ou do cidadão, principalmente porque o discurso de grandes obras é vigente em boa parte do país e uma das conseqüências diretas é a falta constante de recursos para concluir obras, manter outras em estado de conservação, ou até mesmo para justificar grandes somas de dinheiro emprestado de bancos nacionais e multinacionais, como noticiado na mídia.

Cidadania é formar recursos humanos públicos

Em Bauru, a Secretária Municipal do Meio Ambiente (da SEMMA), a senhora Lazara Gazzetta, resolveu inovar baseada em seus instintos de defesa do Meio Ambiente e apostou na Psicologia Comportamental para acelerar a mudança que ela mesma citou ter começado há um ano, quando assumiu de novo a liderança da cadeira na SEMMA.

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A ideia é simples, um professor universitário de uma Universidade Pública Estadual pode, de acordo com a Lei 9.608 de 18 de fevereiro de 1998, atuar como voluntário no âmbito municipal, sem ônus para Município e sem prejuízo de suas atividades ao Estado. Um trabalho de 40 horas, sendo 20 horas de palestras para os diversos níveis de funcionalismo, desde a diretoria até os re-educandos (nome dados aos funcionários com pendências na justiça e que pagam pena executando trabalhos na SEMMA). As outras 20 horas são de intervenções pontuais no próprio local do trabalho e durante o horário do expediente, para introduzir na prática uma série de mudanças contingenciais, que levem os funcionários a um novo modelo comportamental, divergente do estereotipo de funcionário público que não é eficaz e nem eficiente.

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A diferença de outras capacitações é que os resultados são medidos pela observação de comportamentos não ensinados diretamente e que traduzam em trabalho concreto.

A calçada ecológica na SEMMA é fruto do curso de Análise do Comportamento

O primeiro resultado concreto pode ser observado ao final das primeiras oito horas de trabalho, entre palestras e reuniões, quando um grupo de funcionários resolveu utilizar os recursos materiais e humanos presentes na SEMMA para modificar a própria entrada da Secretaria, cuja aparência lembrava muito um cadeião (sem janelas amplas, muitas grades em todas as janelas e portas, além de uma calçada super quente de concreto que pegava sol toda a tarde, aumentando o calor no ambiente de trabalho, que costumavam ligar vários ventiladores para tentar aliviar os quase 40º Celsius medidos nesse outono, sob a sombra). Em apenas um dia, os funcionários se revezaram no corte do concreto, retirada de parte da calçada, plantio de mudas de árvores e placas de grama, além de molhar ao final do dia com um caminhão pipa que retornava ao estacionamento.

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O resultado final foi uma linda calçada que logo terá árvores frondosas para bloquear parte do sol que esquenta a parede principal do prédio.

A teoria de Meta-Contingências aplicada ao Ambiente

Do ponto de vista conceitual, a nova calçada foi o fruto de várias atividades entrelaçadas dos diversos funcionários que geraram um produto totalmente novo do esperado de curso comum. Tal macro #Comportamento está relacionado às Meta-Contingências controladas pelo professor, tal como relatadas por Sigrid Glenn em 1991 e Claudio Todorov em 1987, ambos psicólogos eméritos e pesquisadores de Analise do Comportamento na Psicologia. #Educação #Governo