Como faz todos os dias, o enfermeiro Jorge Carlos Ferreira Santos saiu de casa no início da noite de terça-feira (10), para mais um dia de trabalho no Hospital São Paulo. O que parecia um dia comum na rotina do paulistano de 44 anos acabou se transformando em uma noite de terror, com tentativa de linchamento em via pública. Ao se aproximar da Avenida 23 de Maio, onde acontecia um protesto de taxistas contra a legalização do aplicativo Uber, Jorge cometeu o seu primeiro erro: tentou furar o bloqueio feito pelos taxistas, passando por cima de um galho que estava na via. 

Neste momento, os manifestantes partiram para cima do motorista, confundindo-o com algum prestador de serviço do #UBER. "Começaram a bater na porta falando 'tá louco, você é Uber'.

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Falei: 'não sou Uber", conta Jorge. Percebendo que a multidão começava a se aproximar do veículo com agressividade crescente, Jorge tentou "provar" que não trabalhava com transporte de passageiros. Neste momento, comete seu segundo erro: moveu os braços para trás, na direção do banco traseiro. O movimento fez alguns taxistas acharem que o enfermeiro estava tentando pegar uma arma. Foi o estopim para que os manifestantes começassem a depredar seu veículo e ameaçá-lo. O vidro traseiro do seu carro foi quebrado e a lataria amassada por socos e pontapés. O prejuízo é estimado em cerca de três mil reais. 

Amedrontado e temendo pela própria vida, Jorge acelerou o carro contra os manifestantes, chegando a atropelar alguns.  "Eu empurrei um monte de gente. Se tiver que ser preso eu vou, mas tive que empurrar as pessoas porque queriam me matar", confessa. "Eu não tenho raiva, eu não tenho rancor.

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Eu tenho pena", disse o enfermeiro, que registrou boletim de ocorrência por dano material, injúria e ameaça.  "Fiquei com medo de morrer. Não cheguei a ver que tinha atropelado ninguém porque estava olhando para o lado. Muita gente se jogou sobre o carro. Se eu parasse, eu ia morrer. Eu queria sair de lá o mais rápido possível", disse Jorge à Revista Veja. 

Até o fechamento desta matéria, nenhum dos taxistas atropelados havia registrado boletim de ocorrência contra Jorge.  

#Violência #Casos de polícia