Nesta terça-feira (10), o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), assinou decreto que regulamenta os serviços de transporte individual de passageiros, solicitados geralmente por aplicativos de dispositivos móveis, na capital paulista. A decisão favorece, diretamente, os motoristas e operadores do #UBER - multinacional americana especializada em transporte privado nas grandes cidades do mundo.

Segundo nota publicada pela Secretaria Executiva de Comunicação da Prefeitura de São Paulo, a administração municipal acredita que a regulamentação e suas regras "estão em sintonia com uma série de decisões judiciais e têm o sentido de ampliar, aprimorar e modernizar os meios para mobilidade urbana".

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Sobre a acusação de alguns vereadores ligados ao Sindicato dos Taxistas, e dos próprios condutores, de que a regulação do transporte tem por objetivo único oferecer benefícios ao Uber em prejuízo dos taxistas, a prefeitura explicou que somente o aplicativo norte-americano funciona na capital paulista, atualmente, e por determinação judicial, imposta por liminar. Para a administração, o decreto deve criar um ambiente de harmonização com o serviço de transporte tradicional e evitar a monopolização, estabelecendo a possibilidade de livre concorrência em benefício dos usuários.

No comunicado, o prefeito Fernando Haddad declarou que está seguro de que "o modelo é bom e protege a categoria dos taxistas", e reafirmou a pretensão de manter o diálogo com a categoria.

Mas os condutores de táxis oficiais da capital paulista não aprovaram a decisão de Haddad e fizeram diversos protestos pela cidade, na manhã desta quarta-feira (11).

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Inicialmente, os motoristas se reuniram e bloquearam três das quatro faixas da Avenida 23 de Maio ateando fogo em pneus dispostos no asfalto como em uma barricada. Vale lembrar que a avenida é o principal corredor de ligação entre as zonas norte e sul da capital e seu bloqueio gerou transtornos a milhões de motoristas, especialmente aos que estavam por ali no momento do protesto e foram obrigados a passar pelo trecho utilizando a faixa exclusiva de ônibus. Com a chegada da polícia, que apagou o fogo e liberou a via, quatro taxistas acabaram detidos.

Depois, os manifestantes seguiram em direção ao Viaduto da Chá, na região central, para protestarem em frente a sede da prefeitura paulistana, de onde partiram, em seguida, rumo à Câmara de Vereadores, no Viaduto Jacareí, acompanhados por uma viatura da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e outra da Polícia Militar. Em frente ao prédio da Câmara Municipal, gritaram frases como "Haddad ladrão, roubou minha profissão" e fizeram ofensas ao prefeito.

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No Viaduto Jacareí, taxistas hostilizaram o condutor de um veículo de cor preta que tentou furar o bloqueio e acabou sendo perseguido, tendo seu carro depredado por alguns manifestantes.

A categoria ainda promete mais protestos para esta quarta-feira (11). Os taxistas pretendem bloquear os acessos aos dois principais aeroportos da cidade: Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo - acesso pela Marginal Tietê e rodovias Presidente Dutra e Ayrton Senna - e Aeroporto de Congonhas, na zona Sul - acesso pelas avenidas 23 de Maio e Washington Luis. As três rodoviárias da cidade, Tietê (zona Norte), Jabaquara (zona Sul) e Barra Funda (zona Oeste), também podem ser alvos de interdições pelos manifestantes. #Manifestação #Violência