No momento em que a luta pelos direitos dos homossexuais atinge seu ápice, após a tragédia de Orlando, a comunidade gay se depara com inimigos não apenas externos - fundamentalistas religiosos, machistas e etc - mas também internos. A boate Cantho, uma das mais tradicionais de São Paulo, está sendo acusada de cobrar um valor diferenciado para permitir a entrada de transexuais e travestis. A casa de shows tem uma tabela de preços para o público "indesejado". Enquanto que a clientela "cis" (pessoas que se identificam com o gênero definido no momento de seu nascimento, de acordo com sua genitália) paga R$ 30 para entrar na boate, travestis e transexuais são obrigadas a pagar R$ 150.

Publicidade
Publicidade

Quem se recusa a pagar é impedida de entrar. A acusação foi feita no Facebook pela ativista LGBT e transexual Viviany Beleboni, famosa por suas performances polêmicas na Parada Gay de São Paulo. A reportagem do Blasting News procurou a boate Cantho, mas o estabelecimento optou por não se pronunciar.

De acordo com Viviany, o argumento dos donos da boate é de que as travestis roubam os clientes, provocam brigas e confusão. "Mas eu mesma já fui roubada em diversas boates gays e nem por isso eles passaram a cobrar um valor maior para quem é gay (quem é "cis")", reclama a ativista. "Não é toda travesti que rouba. Que puna quem vai lá fazer bagunça e roubar, e não a classe inteira", pede. "É lamentável que ainda dentro do nosso meio exista desunião num momento tão cheio de retrocesso", desabafa.

Publicidade

Outras travestis também confirmam o novo tratamento dispensado pela boate. A cliente S.C.R, que pediu para não ser identificada, disse que se sentiu péssima quando foi à Cantho com seus amigos. "Todo mundo entrou e, quando chegou minha vez, me pediram 150 reais. Me senti horrível", conta. Confessa, entretanto, que muitas travestis vão à Cantho para roubar e vender drogas. "Já vi travesti dando droga pros gays, para depois roubá-los. Mas tem de tirar essas pessoas da boate, e não punir todo mundo".

Viviany diz que registrará queixa no Procon por discriminação. Em casos anteriores, o órgão de defesa do consumidor já manifestou que a cobrança de valores diferenciados em casas noturnas é prática abusiva e afronta o princípio constitucional da isonomia. #Homofobia