A vida de quem depende de atendimento gratuito de saúde está cada vez mais difícil. Enquanto artistas se reuniram para protestar contra o ‘ex-fim’ do MinC e do eventual fim da Lei Rouanet, milhares de pessoas enfermas perderão o atendimento no #Hospital do Câncer de Fernandópolis, em São Paulo.

Na unidade são realizados cerca de duzentos atendimentos médicos por dia, com exames preventivos de câncer de colo do útero, mama, próstata e pele. O anúncio do fechamento da unidade, que ocorrerá dentro de no máximo um mês, foi do diretor do hospital, Henrique Prata.

Segundo Henrique, a unidade foi inaugurada, mas não foi credenciada e por isso não tem recebido os recursos necessários para manter o hospital com a realização dos procedimentos diários e cumprindo com a folha de pagamento.

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Ainda segundo o diretor do hospital, a unidade tem sido mantida com doações, mas estas têm sidos muito baixas e existe um atraso de mais de R$30 milhões em repasses de verbas, o que obriga a direção a optar pelo fechamento da unidade Fernandópolis.

Outra unidade do HC em São Paulo, localizado em Jales, também pode fechar as portas em breve. O Hospital do Câncer de Barretos fechou o ano passado com um custo de quase R$500 milhões, sendo que o SUS só repassou R$207 milhões. O restante do valor foi arrecadado com shows feitos por cantores famosos e doações diversas.

Nota da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo

A SES de São Paulo informou que a habilitação da unidade foi aprovada no dia 17 de março de 2015 (um ano e dois meses atrás), em uma comissão constituída por município e estado e em seguida a aprovação foi remetida para órgão federal, aguardando o credenciamento, que em mais de um ano, não respondeu se concordava ou não.

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A Secretaria também informou que nos últimos três anos já repassou mais de R$700 milhões a Fundação Pio XII, que é a mantenedora dos hospitais, sendo que desde valor R$178 milhões foram repassados de forma voluntária para cobrir o déficit deixado pelo governo federal.

Quanto ao credenciamento do atendimento oncológico junto ao SUS, a secretaria deixou claro que não cabe ao estado de São Paulo realizar, mas sim o Ministério da Saúde. O estado de São Paulo cumpriu com todas as formalidades que eram de sua responsabilidade, bem como salientou que até o final do ano serão repassados mais R$36,5 milhões a fundação mantenedora. Cabe ao governo federal realizar o credenciamento e negociar os repasses de forma que o hospital não feche.

Até o fechamento dessa matéria o Ministério da Saúde não havia se manifestado sobre o assunto. #sistema de saúde #Crise-de-governo