Com uma frase que afirma que quem tem tatuagem de palhaço 'treme' quando vê um à sua frente, duas fotos de um policial militar fardado usando uma máscara de palhaço enquanto ameaça um rapaz negro, flagrado em posição de pedido de piedade ao agente, com um machado e uma arma apontadas à sua cabeça, foram publicadas nas redes sociais no último dia 13. Assassinos de policiais, em geral, são identificados com tatuagem de palhaço pelas facções criminosas.

Advogado e membro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), Ariel de Castro Alves pediu à Ouvidoria da Polícia que identificasse os policiais envolvidos na ação e julgasse o procedimento adotado por eles que, segundo Alves, cometeram #Crime previsto no artigo 286 do Código Penal pois incitaram, de forma pública, a prática do cometimento de crime de assassinato contra pessoas que tenham desenhos de palhaços tatuados em seus corpos.

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A pena, neste caso, é de aplicação de multa ou até de 3 a 6 meses de detenção. O advogado, também membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos, disse que uma sindicância administrativa também deve ser aberta pela Polícia Militar, pois o uso da referida máscara em composição com o fardamento oficial desrespeita as normas da corporação.

Ao receber a denúncia, Júlio César Fernandes Neves, ouvidor da PM, afirmou que o comando do órgão investigaria o caso em razão da atitude dos policiais ferir integralmente o Código de Conduta da Polícia Militar.

Entregues ao secretário de Estado da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, no dia 14, as imagens seguiram para a Corregedoria da Polícia Militar para apuração e identificação do policial envolvido.

O CASO

No dia 25 de maio passado, o policial militar Leandro Lessa de Souza, de 37 anos, foi assassinado após tentativa de assalto, às 11h, na rua Barão de Loreto, no Bairro do Ipiranga, em São Paulo.

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O soldado não estava fardado e entregou seus pertences ao marginal no momento da abordagem, mas tentou reagir e acabou baleado na cabeça.

Socorrido, Leandro foi encaminhado ao Hospital do Ipiranga, mas não resistiu e morreu no meio da tarde daquela quarta-feira. Ele estava na corporação havia sete anos.

Após as imagens do PM usando a máscara de palhaço viralizarem e chegarem ao conhecimento da Ouvidoria da PM, Júlio César Neves se dirigiu ao DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil para confirmar se o suspeito que lá estava detido, acusado do latrocínio contra o soldado Lessa, era a mesma pessoa que aparece nas imagens dos policiais com um machado e uma arma apontada para sua cabeça.

Sem dar maiores detalhes, o ouvidor Neves disse, na época, que o preso nas dependências do DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) poderia ser o mesmo que foi fotografado acuado na abordagem do policial mascarado.

O primeiro veículo a publicar reportagem sobre o caso e exibir as imagens do policial mascarado foi o site Ponte Jornalismo, voltado a informações sobre Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos.

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POLICIAL IDENTIFICADO

Na última sexta-feira (22), a Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo identificou e afastou o policial militar mascarado para que ele responda ao processo administrativo acerca da ocorrência. Por motivos óbvios, sua identidade não foi revelada à imprensa.

Neves, ouvidor da PM, disse que caso se confirme o envolvimento de mais de três agentes no fato, todos podem ser indiciados em processo criminal na Justiça comum por formação de quadrilha.

Agora, a Corregedoria quer informações sobre a ocorrência como, por exemplo, se a abordagem ao suspeito negro tratava-se de uma operação de rotina ou se era uma brincadeira para ser enviada aos grupos de policiais no WhastApp; além de buscar mais referências sobre a atuação do policial militar na região em que ele trabalhava afim de saber se ele procedia conforme orientações do comando da PM ou se tomava atitudes de intimidação à população do bairro. #Violência #Casos de polícia