Fundada há 20 anos, em uma pequena casa situada no bairro da Vila Mariana, zona Sul da capital Paulista, a Casa Hope oferece apoio educacional e social a crianças e adolescentes portadores de câncer e seus familiares. Em geral, são pessoas de todo o Brasil, de baixo poder aquisitivo, com pouco ou nenhum estudo e que vivem, em sua grande maioria, às margens da sociedade.

De forma totalmente gratuita, a instituição faz mais de 30 mil atendimentos por mês e também oferece moradia, alimentação, assistência social e psicológica, escolarização, terapia ocupacional, cursos de capacitação profissional, recreação assistida, festas comemorativas, passeios culturais, vestuário, medicamentos e transporte para hospitais, rodoviárias e aeroportos.

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Muitas famílias que não moram na capital paulista recorrem à Casa Hope para se abrigarem quando trazem seus filhos para tratamento contra o câncer na cidade. Segundo Cláudia Bonfiglioli, presidente e fundadora da entidade, juntamente com Patrícia Thompson, a Casa Hope chegou a hospedar mais de 800 pessoas, entre pacientes e familiares, em 2014.

Mas a situação da instituição não é nada confortável diante do seu alto custo de operação e manutenção. Com dezenas de colaboradores em sua folha de pagamento, despesas com fornecedores e serviços, a Casa Hope se vê, atualmente, abandonada pelo poder público depois que o prefeito de São Paulo, #Fernando Haddad (PT), determinou a não renovação do convênio que a administração municipal mantinha com a entidade filantrópica.

Pelo acordo, a prefeitura repassava R$ 97,2 mil mensalmente à instituição.

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Esse valor representa 25% do necessário para manter a Casa Hope funcionando, segundo a presidente da entidade.

O prefeito petista tomou a decisão com base em uma portaria publicada pelo Ministério da Saúde, em 2001, na época do então ministro José Serra (PSDB-SP). Pelo documento oficial, de nº 2309, municípios e estados que recebem pacientes não residentes em suas regiões não devem arcar com os custos de seus complexos tratamentos, ficando a cargo do Ministério custear todas as despesas através de uma comissão nacional de compensação.

Para justificar a suspensão e o não repasse de verba à Casa Hope, a secretária adjunta da Saúde, Célia Cristina Bortoletto, disse que o procedimento não tem embasamento legal e por esse motivo ele foi anulado.

Cláudia Bonfiglioli contesta a secretária dizendo que a informação que lhe foi dada em uma reunião realizada entre as partes na Secretaria Municipal da Saúde, na semana passada, é que o município não tem dinheiro para arcar com o compromisso de repasse à entidade.

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Diante da negativa e indignada, a presidente da Casa Hope publicou um vídeo no Facebook da instituição relatando o ocorrido e pedindo ajuda com doações para manter a instituição funcionando.

Por conta da repercussão do vídeo, que teve mais de 270 mil visualizações em menos de um dia, a prefeitura informou à imprensa, na terça-feira (5), que determinou à Secretaria Municipal da Saúde, administrada pelo secretário Alexandre Padilha (PT), que rediscutisse a renovação do convênio com a Casa Hope por uma "questão humanitária".

Porém, até esta quinta-feira (7), a Casa Hope não recebeu nenhum comunicado oficial informando a decisão da prefeitura de retomar o convênio e continuar a fazer os repasses de verba à instituição. #Doença #sistema de saúde