Já era madrugada de terça-feira (5) em Ribeirão Preto (SP), a 319 quilômetros da capital paulista, quando cerca de vinte bandidos fortemente armados e embarcados em pelo menos 10 carros e um caminhão, que seguiam em comboio, atacaram uma viatura da Polícia Militar que fazia ronda pela zona Norte da cidade. O objetivo da quadrilha era chegar ao prédio de uma transportadora de valores, a Prosegur, sediada na avenida Saudade.

Com muitos tiros disparados contra um transformador de energia elétrica a quadrilha interrompeu o fornecimento e deixou o bairro de Campos Elíseos e cerca de duas mil casas às escuras. Ruas que davam acesso ao local foram bloqueadas pelos marginais que, além de espalharem pregos pelo asfalto, também estacionaram e incendiaram veículos no meio das vias.

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A ação foi registrada por câmeras de celulares dos moradores, apavorados com a investida dos marginais.

As armas e munições utilizadas no assalto, segundo informou o tenente da Polícia Militar Tiago Pedroso, incluíam pistolas, fuzis 556 e 762 ponto 50 com munições capazes de colocar aeronaves ao chão.

Enquanto seguia-se intenso tiroteio contra os policiais militares, dinamites foram usadas por alguns assaltantes que explodiram a entrada do prédio da empresa e acessaram o cofre em que estava o dinheiro.

No confronto entre Polícia Militar e bandidos, que durou cerca de 40 minutos, mais de mil tiros foram disparados em direção aos policiais, segundo informou o diretor do Deinter 3 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), João Osinski Júnior, que disse também que a ação foi muito bem orquestrada pela quadrilha que usava luvas, roupas e tocas ninjas na cor preta para dificultar sua visualização no ambiente totalmente escuro.

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A empresa Prosegur informou que nenhum de seus funcionários foi ferido na ação e não revelou a quantia levada de seus cofres. Porém, acredita-se que foram roubados alguns milhões de reais pois a empresa abasteceria, na manhã desta terça-feira, agências bancárias na cidade que tem mais de 1,3 mi de habitantes.

Uma família foi tomada refém durante a fuga da quadrilha, que se dividiu, mas logo foi liberada com os bandidos levando seu carro.

Na rodovia Anhanguera um grupo se deparou com uma viatura da Polícia Militar Rodoviária e o cabo Tarcísio Wilker Gomes, de 43 anos, acabou levando a pior; atingido na cabeça por um tiro disparado pelos bandidos. O policial acabou morrendo na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão. Casado, o cabo deixou órfão um garoto de 8 anos.

Durante todo o dia a polícia realizou uma verdadeira caçada em todo o entorno de Ribeirão Preto e reforçou o contingente nas divisas do estado. Na operação, um carregador de submetralhadora, munições e dois carros usados pelos assaltantes foram encontrados em uma chácara que fica às margens da rodovia Anhanguera e que, segundo a polícia, foi alugada para ser o QG (Quartel General) dos bandidos.

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Pelo tipo de armamento e munições usadas, João Osinski Júnior acredita que o #Crime pode ter sido cometido pelas mesmas pessoas que participaram de ações semelhantes nas cidades de Campinas, também no interior do Estado, e em Santos, litoral sul, em abril passado. #Violência #Casos de polícia