Neon Cunha, uma designer de 44 anos que mora em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, entrou com uma ação na #Justiça solicitando uma retificação no registro civil para alterar o nome e o sexo que lhe foram atribuídos. Batizada como Neumir, ela recusa o diagnóstico de "disforia de gênero", explicada por médicos como a situação em que pessoa não se sente confortável com sexo (masculino, no caso dela) imputado ao nascer. Na ação judicial, também solicitou o direito à morte assistida, na eventualidade do seu pedido não ser atendido. 

Em entrevista à versão online da Folha de S. Paulo, publicada neste último sábado (30/07), compartilhou um pouco da sua história de vida.

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"Viemos para S. Bernardo do Campo quando eu ainda tinha por volta de um ano... Meu pai era operário na Volkswagen enquanto minha mãe era faxineira", contou em depoimento concedido ao jornalista Chico Felitti. "Minha mãe diz que eu me reconheci como menina com cerca de dois anos de idade", revelou Neon. 

Ainda na primeira infância, foi tratada com desprezo pelos meninos que a taxaram como "mulherzinha" e "bichinha", tratamentos dados no feminino que não lhe causava incômodo, mas um alerta de um dos irmãos (o mais velho), que lhe explicou que homens não deveriam aceitar tais apelidos, trouxe à tona a realidade e o medo tomou conta da designer. 

O processo

O advogado de Neon abraçou a causa e, segundo ela, está disposto a levar o caso às últimas instâncias, mesmo que isso custe a licença da OAB. 

A designer relata que nunca se preocupou com o rosto e com o corpo.

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Chegou a fazer um implante de mamas, mesmo sob críticas de amigas, e contou que sofre preconceito dentro do próprio movimento LGBT. 

Há diversos casos em que transexuais conseguiram alterar os documentos sem a necessidade de realizar cirurgias, porém todos passaram por um duro diagnóstico médico que leva tempo. "Eu não vou passar por um controle médico... Eu não tenho disforia", desabafou. 

A morte

Funcionária da Prefeitura de S. Bernardo há mais de 30 anos, Neon alega que, apesar de inúmeras conquistas, ainda se sente insatisfeita consigo mesma. "Eu sou uma mulher que luta pelo direito à dignidade... Não tenho medo de morrer. Tenho medo sim é de morrer sem dignidade", esclarece.

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