Símbolo polêmico do Modernismo e da expansão de São Paulo, o Elevado Costa e Silva – vulgo Minhocão - tem recebido algumas ações para diminuir seu impacto degradante no entorno dos prédios e dos bairros que percorre.

Visto como uma via que trouxe mais barulho, poluição  e degradação da qualidade de vida por causa de seu uso intensivo para o trânsito, o Minhocão está sendo mimado nos últimos anos. Primeiramente, foi fechado ao tráfego durante os fins de semana para abrigar uma área de lazer. Neste ano, ganhou um nome novo: passou de Elevado Costa e Silva para Elevado João Goulart. E o presente mais recente é a implantação de jardins verticais nos prédios que ficam ao lado desse Elevado.

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Esses jardins são instalados nos paredões dos edifícios, cujo conjunto de plantas acarreta muitos benefícios, segundo os moradores que já tiveram a felicidade de receber uma fachada, digamos, mais verde.

Um dos benefícios observados é quanto à temperatura pois, nesse quesito, há relatos de que houve uma diminuição de até 8 graus. Como consequência, o ambiente dos apartamentos fica mais fresco e úmido, o que reduz bem o problema do calor.

Outra vantagem é que os jardins verticais ajudam a absorver os gases poluentes emitidos na área, melhorando em 30% a qualidade do ar. Segundo um estudo do médico Paulo Saldiva, quem vive na região do Minhocão tem um recuo de até 15 anos em sua longevidade por causa dos altos índices de ruído e poluição.

O coordenador do projeto chamado “Movimento 90°”, Guil Blanche, conta que, em 2013, efetuou-se um levantamento sobre possíveis áreas que teriam maior potencial para receber o projeto e daí, os resultados foram divididos em Corredores como o Augusta, Consolação e Minhocão.

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Este último é um projeto piloto, já que foi escolhido por razões óbvias quanto ao ambiente degradado sob vários aspectos. A intenção é levar os jardins verticais para mais áreas da capital paulistana.

A invenção desse tipo de técnica ambiental e arquitetônica é francesa e, desde então, vem agregando resultados positivos como a ausência de infiltrações nas paredes ou de problemas higiênicos. Seu custo de manutenção é baixo: no caso paulistano, utilizam-se de 3 a 30 espécies de plantas, chapas ecológicas, um sistema simples de irrigação e de um computador que monitora a manutenção do paredão verde.

O projeto dos jardins verticais não se resume à funcionalidade ambiental, ele também tem democratizado o lado estético. Quando passar pelo Elevado, não estranhe se visualizar figuras ou caricaturas desenhadas. É outra frente que inclui artistas dedicados a apresentar uma forma de arte contemporânea e de boa visibilidade. Os artistas plásticos alcançam um público maior com suas obras expostas todos os dias ao ar livre.

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Com aval da Prefeitura de São Paulo, o Corredor do Minhocão pode se tornar o primeiro Corredor de jardins verticais do mundo.

Ainda não se sabe qual será o final do Elevado João Goulart: há tempos ele é tratado como uma obra que deve ser demolida. Outros defendem que ele deve se converter em um parque. Mesmo que algum dia tenha seu fim decretado, mais um capítulo se acrescenta a sua existência: o seu entorno é um caso prático de que carros, moradores e vegetação podem conviver harmoniosamente. #Decoração #Inovação #Tratamento