Prisões no Brasil oferecem um vislumbre do inferno: superlotadas, governadas pela violência (por parte dos detentos e dos agentes penitenciários), e incapazes de promover a reabilitação. Tudo isso, obviamente, tem lugar num dia normal. Às vezes, é ainda pior.

Na quinta-feira, um motim em uma instalação de segurança mínima localizada no Estado de São Paulo levou à fuga de centenas de presos. Quando a revolta eclodiu, os presos atearam fogo a um dos edifícios. As chamas atingiram um canavial nas proximidades.

Cobertos pela fumaça e pelas chamas, os prisioneiros subiram por um alto portão de quatro metros e fugiram. Na sexta-feira de manhã, 295 detentos tinham sido recapturados, mas as autoridades ainda não sabem quantos escaparam.

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Isso ocorre porque o fogo também destruiu parte dos arquivos da prisão, o que torna praticamente impossível um controle eficaz.

O presídio de Jardinópolis - São Paulo -  foi destinado para os presos que cumprem penas em regime semi-aberto, o que significa que eles estão autorizados a deixar a instalação durante o dia de trabalho. Estes presos estão no final de suas sentenças, geralmente por não terem cometido crimes violentos e apresentarem bom comportamento.

Em teoria, é uma prisão com melhores condições do que a maioria. A realidade, no entanto, parece muito pior. Parentes dos presos disse à imprensa brasileira que o motim era um protesto contra a superpopulação da prisão. Enquanto a instalação pode abrigar até 1.080 pessoas, um total de 1.861 foram encarcerados.

Das 21 novas prisões que abriram apenas no Estado de São Paulo, ao longo dos últimos seis anos, 18 delas já estão superlotadas.

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Alguns dos detidos recapturados ofereceram detalhes que podem ajudar a explicar o que aconteceu. Segundo eles, a rebelião foi motivada por punições injustas, incluindo espancamentos regulares e a proibição de visitas.

A última gota foi uma busca surpresa que teve lugar na quinta-feira de manhã. Os detidos foram encaminhados em suas roupas íntimas para o pátio exterior, apesar do frio, e sem café da manhã. Horas mais tarde, o motim começou. De acordo com a administração da prisão, telefones móveis, armas e drogas foram apreendidos durante a busca surpresa. #Crime #Casos de polícia #Polícia Federal