O projeto “Escritores da Cidade” é uma inciativa da Secretaria de #Cultura da cidade de São Bernardo do Campo-SP que reúne mensalmente escritores de diversos bairros para dividirem experiências, promoverem discussões sobre o mercado editorial, e planejarem projetos que possam enriquecer o cenário cultural da região.

Segundo Alexandre Nogueira, coordenador do projeto, a inciativa surgiu ano passado com a perspectiva de que todo cidadão tem direito a leitura e informação. “O projeto tem como demanda garantir um acesso para que os escritores locais possam expor seus trabalhos ”, diz Nogueira.

O projeto integra diversos tipos de artistas, desde poetas a ilustradores.

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Os participantes se sentem acolhidos nas reuniões, o que, segundo o escritor, ilustrador e cantor de rap, Walter Luis (autor de ‘Haikais com Limonada” e “Todo Mundo Quer Ir Pro Cel”), é um princípio enriquecedor. “Vejo que há outros escritores locais que estão no mesmo barco que eu. São artistas independentes que batalham para publicarem e divulgarem os seus trabalhos”.

A interatividade entre os artistas abre espaço para uma abundante troca de experiências e expansão de perspectivas. “Entrar em contato com outros escritores interessados em #leitura e no mercado editorial me fez desenvolver a visão para outros segmentos da literatura em que não participo”, diz o escritor Cauê Borges (autor de “Contos de Trabalho e “Jean-Jacques Rousseau”) morador do Rudge Ramos.  

Os escritores conhecem e divulgam o trabalho do outro, fazem contribuições críticas, planejam projetos e feiras literárias.

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“São encontros muito ricos para os escritores, é uma troca de informações muito grande, que sozinhos não conseguimos desenvolver”, diz Borges.  

Um tópico frequentemente debatido nas reuniões do grupo é sobre o mercado editorial brasileiro, que, segundo a poeta Gill Santos, está cada vez mais restrito para escritores iniciantes. “Hoje o mercado é muito fechado, quem é novo não tem #oportunidade. Quando um escritor iniciante consegue o apoio de uma editora pequena, poucas vezes ela ajuda na divulgação e na distribuição, e, por consequência, os próprios autores ficam com o ônus desses processos”, diz Gill.

O projeto ainda está em crescimento, porém, tem como uma de suas demandas auxiliar os escritores a publicarem os livros através de uma coletânea de textos dos autores locais. “Procuramos problematizar a questão do espaço limitado do mercado editorial com os próprios escritores através de discussões sobre diversos tópicos dentro dessa questão”, explica Nogueira. O projeto tem a perspectiva de ampliar o leque de possibilidades dos escritores para uma produção coletiva.

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A estratégia mais efetiva do projeto para divulgar as obras dos participantes é o espaço que as bibliotecas municipais cedem para expor os trabalhos dos escritores locais que compõem o acervo. Todas as obras estão disponíveis para locação. Além desse incentivo, todo mês um autor é sorteado para ter o seu texto publicado no Guia da Cidade.

Segundo o crítico de arte do jornal Diário do Grande ABC, Vinícius Castelli, esse tipo de incentivo é de extrema importância para movimentar a cultura local. “É uma iniciativa que não pode faltar em município nenhum. Além de fomentar a cultura, é uma porta de entrada para pessoas que não tenham contato com a literatura, passem a conhecer e poder mergulhar nesse universo tão incrível. ”

O próximo encontro dos “Escritores da Cidade” será no dia 05 de novembro na Gibiteca Eugêncio Colonnese no bairro Jardim do Mar as 10h. A visitação é gratuita.