João Doria, prefeito de São Paulo, mal assumiu a prefeitura e colocou em prática a operação “Cidade Linda”. Além de limpezas de ruas e calçadas, o prefeito planejou fazer a limpeza em muros e patrimônio público que foram alvos de vandalismo por pichadores.

O que Doria não contava é que começaria um desentendimento com grupos de pichadores, que prometeram dar o troco.

Na última segunda-feira (16), o prefeito parabenizou uma equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM), pela prisão de alguns pichadores que, segundo ele, degradaram um patrimônio público da cidade. “Tolerância zero com o vandalismo”, disse Doria.

Em apenas 19 dias no cargo, Doria já mandou prender e indiciar 28 pichadores e promete não acabar por aí.

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Para ele, se os pichadores se tornarem artistas, terão total apoio da Prefeitura para a arte urbana, através da Secretaria de Cultura.

Doria deu início à operação Cidade Linda limpando as pichações que havia em uma das mais famosas obras da cidade, a Ponte Estaiada. Foi preciso contratar alpinistas para fazer o trabalho de limpeza, no topo da ponte.

Apesar de todo esforço que o prefeito terá que fazer para manter a “cidade linda”, ele não terá vida fácil. Um dia após promover a limpeza da Ponte Estaiada, pichadores mandaram um recado, mais claro ao novo prefeito, onde aparece pichado “Doria, pixo é arte”, em um prédio próximo ao Terminal Bandeira, região central da capital, onde João Doria passa todos os dias para chegar na prefeitura.

O prefeito manifesta que a luta é só para combater pichações e que grafiteiros terão uma espécie de “grafitódromo”, no bairro da Mooca, onde poderão colocar sua arte nos muros do local.

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Doria sugere que pichadores entrem no ramo do grafite para ter esse espaço destinado a eles também.

Nada satisfeitos com o “grafitódromo”, os grafiteiros também reagiram negativamente contra o novo prefeito, em achar que um espaço próprio para grafite é muito pouco, que isso é reprimir a arte em toda cidade, tendo em vista que a maioria das pessoas que frequentam a Mooca são da Zona Leste e existem grafiteiros em todas as regiões da cidade que não podem “se sentir presos” em um só lugar. O grafiteiro Todyone mandou um recado diretamente para o prefeito, em um muro na Zona Leste, onde aparece um desenho de João Doria, vestido de gari, varrendo um grafite para debaixo do tapete.

O grafiteiro Marcio Martins (28), que é conhecido no mundo do grafite como MRC, conheceu a arte e a pichação em 2002 e desde então percebeu que tinha vocação para seguir nesse ramo. MRC já ganhou dinheiro trabalhando com a arte e acredita que o prefeito João Doria exagerou na limpeza de grafites e pichações.

“Eu entendo que a pichação é uma liberdade de expressão, que muita gente usa de forma e lugares errados.

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Já o grafite deixa o lugar mais bonito, tem que ter autorização pra fazer. Eu não acho errado o Doria estar apagando as pichações em geral, só acho que está sendo radical demais”, afirma Marcio. “Ele apagou um grafite que teve um evento, com liberação da prefeitura, na Ponte Jânio Quadros onde tem uma cultura envolvida. Eu sou a favor do grafite que deixa um ambiente mais agradável, e os políticos comparam com a pichação.”

Já o grafiteiro Danilo Alves (25), conhecido como ALEM, considera que o grafite é como a “voz do povo” e o define como arte.

“A rua fala. Basta ler os muros. Ele apagando isso está achando que vai deixar a cidade bonita, mas está apagando a voz do povo”, explica Danilo. “Querem deixar a rua limpa, tudo cinza. Mas quando chove, alaga tudo. Os hospitais são ruins. E eles estão preocupados em limpar a arte que tem nas ruas”, conclui. #Polêmica #2017 #PSDB