Uma das maiores tragédias da cidade de São Paulo completa nesta quarta-feira 43 anos. No dia 1º de fevereiro de 1974, o edifício comercial #Joelma, no centro da Capital, foi tomado pelas chamas, vitimando 191 pessoas e deixando mais de 300 feridas. A #Tragédia rendeu livros, documentários de TV e filmes - há quem diga que o clássico Inferno na Torre, com Paul Newman e Steve McQueen, foi baseado neste caso. No entanto, outros mistérios que cercam o terreno onde foi construído o prédio tornam a história ainda mais macabra.

Crime do Poço

O primeiro dos vários pontos macabros remete aos séculos XVII e XIX. Diz a lenda que o terreno onde estava o Joelma fora antigamente um local para castigar escravos até a morte, o que na época fizeram apontar o lugar como amaldiçoado.

Publicidade
Publicidade

Várias décadas mais tarde, ergueu-se uma vila, que foi palco do chamado “Crime do Paço”. Em 1948, o professor da Universidade de São Paulo, Paulo Ferreira Camargo, matou a tiros a mãe e as duas irmãs, e para se livrar das provas do crime, jogou os corpos dentro de um poço que havia no quintal da residência. Desconfiados com o repentino desaparecimento das mulheres, os vizinhos comunicaram a polícia.

Ao ser interrogado, o rapaz disse que as familiares haviam morrido em um acidente de carro no Paraná, porém a desconfiança dos policiais aumentou após entrarem em contato com as autoridades daquele estado e serem informados que não houvera nenhum acidente daquela natureza nos últimos tempos. Ao olharem toda a casa, os policiais notaram a presença do poço, não muito comum nas residências da redondeza e decidiram checá-lo.

Publicidade

Foi então que os três cadáveres foram encontrados. Encurralado, o professor entrou no banheiro e deu cabo à própria vida com um tiro na cabeça.

As 13 almas

Construído no inicio dos anos 70, o edifício Joelma tinha 25 andares, todos tomados por escritórios comerciais. No dia 1º de fevereiro de 1974, uma sexta-feira, por volta das 9 horas da manhã, um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no 12º andar deu inicio à tragédia. Por conta da presença de grande quantidade de material inflamável, em pouco tempo as chamas subiram os andares superiores. Com as escadas de emergência tomadas pela fumaça, as pessoas tiveram que correr para o topo do edifício.

Com o calor imenso, muitas pessoas morreram no telhado a espera do socorro de helicóptero (as escadas dos bombeiros não chegavam até o topo) e outras, no mais puro desespero, simplesmente se atiraram das janelas ou do telhado, caindo na Avenida Nove de Julho. Um grupo de 13 pessoas tentou se salvar, sem sucesso, usando um elevador.

Publicidade

Todas morreram carbonizadas. Sem como ter que fazer a identificação dos corpos, todas foram enterradas lado a lado no Cemitério São Pedro e uma capela foi construída ao lado, atraindo vários peregrinos. Pessoas contam que pouco tempo após o #Incêndio, ouviam gritos vindos da cova, após uma pessoa derramar água sobre o local, eles cessaram.

Mais mistérios

Tempos depois, o prédio foi reconstruído e rebatizado como Edifício Praça da Bandeira. No entanto, relatos de assombrações continuaram. Um motorista que fazia entregas durante a madrugada diz ter visto uma mulher de branco flutuando e indo em direção ao veículo. Assustado, o homem nunca mais retornou ao local.

Também há relatos sobre uma mulher que trabalhava em um escritório de advocacia e tinha que ficar até depois do expediente quando ouviu o barulho de uma porta sendo aberta. Ao verificar, viu a porta fechada e uma mulher passando pela sala de entrada. Ao chegar perto, não viu ninguém. Com medo, ela resolveu deixar o local, mas, na hora de trancar a porta, viu novamente o vulto da mulher.

Em 1979, durante as filmagens de um longa-metragem baseado na tragédia, a produção trabalhava na cena em que as chamas atingem um grupo de pessoas quando nas imagens apareceu uma sobra, que parecia ser o vulto de uma mulher. Ninguém soube explicar o que era, porém exista quem diga que se trata de uma das vítimas do incêndio.