Na Escola Estadual Professora Helena Lombardi Braga, alunos do ensino médio adotaram a prática de eleger as vadias da semana em vídeos compartilhados por WhatsApp. A notícia, veiculada pela página AzMina, está associada a uma prática que se repete há muito tempo entre adolescentes, por mais difícil que seja de acreditar - pelo menos entre aqueles que optam por fechar os olhos para o machismo reproduzido dentro das escolas.

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Além das "vadias", o grupo classifica outros comportamentos e até mesmo o desempenho sexual dos jovens da sala de segundo ano, listando, por exemplo, quem são os "broxas" do momento. A garota que procurou a jornalista Nana Queiroz para realizar a denúncia revelou que, em conversa, sua amiga chegou a dizer que queria morrer. Ambas entraram para a tal lista.

T., a garota que expôs o caso, foi colocada na seleção como alguém que "não pode ver macho".

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Ao se abrir com os pais, decidiram procurar a direção da escola para que providências fossem tomadas, mas a diretora se limitou a dizer que não poderia fazer nada, e que a menina deveria saber escolher melhor suas amizades. A omissão da escola fez com que a família decidisse, então, procurar o site AzMina, que procurou a diretora e recebeu, como resposta, que o caso seria inserido no projeto já desenvolvido pela instituição contra o #bullying.

O conteúdo dos vídeos se espalhou rapidamente pela escola e está sendo comentado pelos alunos nos corredores, que ainda apontam para os nomes mencionados nas listas e fazem chacota das jovens.

Após a divulgação da reportagem, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que a diretora da escola irá se reunir com o grêmio estudantil para elaborar ações de conscientização quanto ao tema, que será trabalhado também por professores de filosofia e sociologia.

Com o ocorrido recente, há uma insistente comparação entre a realidade e um seriado produzido pela Netflix, intitulado "13 Reasons Why", em que uma garota deixa fitas relatando os motivos de seu suicídio e apontando as pessoas culpadas.

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O roteiro, apesar de desenvolvido de maneira irresponsável e superficial, mostra que o machismo dos jovens pode levar ao suicídio de garotas que se tornam vítimas de listas e fotos comprometedoras que se espalham por meio das redes sociais.

É, de fato, importante chamar a atenção para esses acontecimentos, embora sua visibilidade por meio de programas de TV, filmes e séries não signifique uma conscientização efetiva da real dimensão - e frequência - com que isso ocorre. Basta conversar com uma adolescente para se dar conta do quão próximo de nós estão fenômenos como a humilhação, a perseguição, o bullying e a exposição com base em comportamentos da ordem do privado, todos profundamente pautados numa desigualdade de gêneros persistente. #sexualidade #Gênero