De vez em quando somos surpreendidos por uma notícia de violência urbana gratuita entre vizinhos. Não necessariamente os que moram lado a lado, mas os que moram na mesma cidade. E nas grandes cidades é bem mais comum acontecerem coisas desse tipo. Num lugar, o som de um sujeito estava incomodando o outro, que foi pedir (ou mandar) baixar e houve desentendimento. Noutro, o carro ficou atrapalhando a passagem; mais ali na frente, a vaga é que ficou ocupada impedindo o estacionar; aqui foi o elevador que estava cheio, ou simplesmente partiu sem esperar mais um passageiro.

De situações banais mal administradas surgem as mais bárbaras reações. Seja uma simples depredação do patrimônio, seja uma tentativa (às vezes com sucesso) de homicídio, as delegacias policiais estão cada vez mais cheias de situações criadas por gente que não consegue se conter ao se sentir invadido no seu espaço e desrespeitado no seu direito. De um lado esses "nervosinhos" que acham que tudo se resolve com violência usando as próprias mãos, e de outro gente que não consegue ver que incomoda os outros quando não respeitam leis, normas, regras, ou qualquer tipo de acordo para uma melhor convivência social.

Podemos até imaginar que em ambos os casos essas pessoas não tiveram uma boa #Educação familiar, afinal que tipo de pai ou mãe ensina seus filhos a agirem de modo a passar por cima do outro sem a mínima consideração? Ou, quem ensina o filho a partir para a ignorância no momento que se sente aviltado? São pais que cultivam a violência.

Em notícia recente, publicada nos sites de informação, um episódio de violência urbana foi mostrado: um morador de um prédio, de posse de um martelo, atacou um automóvel mal estacionado, depredando-o. O que chamou atenção, entretanto, não foi a notícia em sua forma ou conteúdo (apesar da estupidez da ação), mas os comentários publicados pelos internautas que, em sua maioria, concordavam com a ação cometida pelo agressor, mostrando que ele é, sim, um porta-voz do inconsciente coletivo de uma parcela bastante significativa da sociedade.

As bestas-feras estão soltas ou, pelo menos, doidas para se soltarem. Certamente todos terão um motivo para agir em busca da justiça pelas próprias mãos. O problema é que esse jeito de fazer as coisas nunca deu certo em tempo algum da História. Para falar a verdade, foi para evitar coisas desse tipo que as civilizações foram criadas e evoluíram.

Precisamos ver o que está acontecendo em nosso mundo de hoje. Talvez estejamos forçando demais a convivência de muita gente em pouco espaço. Isso não é somente uma questão de educação. É de saúde mental. Quem sabe Darwin chamaria esses episódios de seleção natural em suas análises. Se as cidades estão pequenas, o trabalho estressante, o tempo curto, o dinheiro inexistente, o lazer faltando, é hora de rever o que chamamos de vida e começarmos a pensar em outro estilo, para que possamos, pelo menos, sobreviver, pois, do jeito que está, nem mais a isso temos direito.

Só espero que não me agridam por eu não concordar com a violência.