Inquirido por Pilatos sobre o que seria a verdade, quando disse que havia pregado sobre ela, Jesus calou-se. Calou-se porque ele mesmo significava a verdade, pura e simples. Não havia o que explicar. Mas, no relacionamento humano e político, a verdade deve ser fidedigna, inteira, respeitável. Não há meia verdade.

Esperava-se que A Comissão da Verdade, criada em 2012, devesse apurar crimes cometidos durante o regime militar, devendo apresentar um relatório que atendesse os interesses de autoridades e familiares das possíveis vítimas, de qualquer dos lados. Infelizmente o que se observou foi uma influência ideológica, uma tendência a apurar fatos e interesse de pessoas que se insurgiam contra a Lei da Anistia, já consagrada pelo Superior Tribunal Federal, e tinham a intenção de mover represálias aos feitos do antigo regime.

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Mais que isso, idealizaram o objetivo de anular os efeitos da Lei da Anistia, votada pelo Congresso à época com base na ideia da reciprocidade, nascida do entendimento entre Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Petrônio Portela, João Figueiredo e mais outros. Nomes respeitáveis que cultuavam as diferenças.

A reciprocidade beneficiava apontados em crimes cometidos, incluindo, entre outros, os da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que tinha o comando do desertor do Exército, capitão Lamarca, o tal que, em fuga, roubou do regimento 63 espingardas, 3 metralhadoras e uma pistola 45 (naturalmente não era para dar uma festinha) para cumprir sua missão revolucionária. Nesse tempo, Lamarca comandou um grupo da VPR no ataque ao Comando Militar de São Paulo que resultou na morte do soldado Mário Kozel Filho e no esmagamento da perna de outro soldado.

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E sequestros, assaltos que cometeram? Se não foi mais (?) foi porque a revolução que pregavam estancou.

E não é só isso. No ano de 1970, em São Paulo, houve um tiroteio entre revolucionários da VPR e soldados da Polícia Militar. Preocupado com o estado de seus subordinados feridos, o tenente Mendes, ao render-se, exigiu que tivessem atendimento médico, o que lhe valeu o julgamento pelo tribunal revolucionário. Foi condenado à morte a coronhadas de fuzil na cabeça, que ficou esfacelada.

Por causa da atuação da Comissão, Lamarca foi reconhecido como vítima e promovido depois de morto, a coronel, recebendo a família proventos de general de brigada. O tenente e o soldado mortos não tiveram reconhecimento algum. Por quê?

A questão é essa: apurou-se a verdade por inteiro com o que ela traz de benefício, apontando todos os envolvidos? Não foi o que ocorreu. Reconheça-se que a Comissão da Verdade tinha seu papel sim... mas que fosse por inteiro. E que não condenasse o acerto da Lei da Anistia, esta reconhecida até pela presidência da República. #Governo #Legislação