O Brasil é dividido em duas grandes classes: a classe "qual a sua cor" e a classe "quanto de verba você possui no banco". Sobre elas, abrem-se um leques de outras: "Poucos brancos pobres"; "Muitos negros pobres"; "Muitos pardos pobres"; "Poucos brancos ricos"; "Muitos negros pobres"; "Muitos pardos pobres", e por ai em diante, ou seja, somos um país onde a desigualdade tem uma magnitude muito acima do que deveria ter, visto que somos todos miscigenados e não temos uma cultura muito própria, sendo a nossa, o conjunto de muitas outras; mas mesmo assim, insistimos em dizer: somos diferentes uns dos outros, o que não deixa de ser um pouco de verdade, mas não somos tão diferentes a ponto de alguns merecerem mais do que outros.

Foram séculos de história e a mão escrava negra foi abusada, usada, humilhada e jogada. Então chega a carta da alforria e diz: "oba, que legal, agora vocês são livres"! Muito pelo contrário, a liberdade estava longe de apenas uma carta. Embora eles não tivessem mais o título de escravos, permaneciam sendo um proletário escravista, visto que os negros não tinham onde morar e dependia dos seus "antigos senhores". Resultado disto? Conhecemos o que hoje chamamos de favelas...

E é lá sim que se encontram a maioria dos negros. Uma grande, parte que hoje está tentando subir na vida e precisa sim da ajuda de autoridade porque senão, dificilmente, chegará. As cotas não são para os negros, são para a sociedade brasileira. As cotas atuam como panos limpos que desinfetam ou, ao menos, amenizam tudo aquilo que aconteceu no passado, e dão direitos a maior parte da população de recomeçar, tentar de novo, poder criar expectativas.

As cotas não são "contra os brancos" ou "em favor dos negros", são resultado de processos históricos que hoje nós, brasileiros, tentamos amenizar. Então, por que elas estariam erradas e não deveriam ser feitas? É um jogo clássico, quem tem diz "não precisa", mas quem não tem? Na verdade, quem não tem nem direito de voz possui. Mesmo que fale, é como jogar sua #Opinião e vontade para o alto, pois não tem direito disto.

Mas até quando vamos continuar com isto? O branco fala, o negro não. E se o negro discorda, então temos que mudar. Mas se o branco discorda, então o negro está errado. Mas que país é este?