Quem circula pela Marginal Tietê e entra na Rodovia Anhanguera já deve ter se deparado com um Casarão em ruínas. Pois saibam que esse é mais um retrato da mentalidade que ainda prevalece em nossa cidade de descaso com sua #História. Ali está encravado uma construção emblemática para a história da região de Pirituba. Ali era sede da antiga fazenda Anastácio, de propriedade do Coronel Anastácio de Freitas Trancoso, membro do Governo Provisório de São Paulo em 1823 e que em 9 de maio de 1856, a venderia para um casal ilustre: Brigadeiro Tobias e Marquesa de Santos. Com a morte do Brigadeiro em 1857, a Marquesa de Santos foi sua única proprietária daquela que era sede da Fazenda Anastácio, e que compreendia todo o bairro de Pirituba, até sua morte em 1867.

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Sabe-se, por recentes descobertas feitas, que a antiga Fazenda foi um reduto de quilombo por honra de Domitila, o verdadeiro nome da Marquesa de Santos, e que uma parte dos moradores da região é composta de moradores que na origem poderiam ser protegidos da ilustre proprietária.

Com a morte da Marquesa, seus herdeiros venderam uma parte das terras para a Light and Power em 1913, para que ali passassem as linhas de transmissão e outra parte das terras foram vendidas para a Companhia Armour do Brasil. Naquela ocasião, a antiga casa da fazenda de taipa e pilão foi destruída e, em seu lugar foi construído o casarão na década de 1920 para sediar o Club House do Frigorífico Armour do Brasil, que se encontra em ruínas hoje em dia. Serviu também como hospedaria e local de lazer para os funcionários da empresa e também havia instalações para a criação e o treinamento de cavalos para saltos e corridas.

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Já na década de 1960, a área foi vendida para a empresa Flora S.A. Administração e Comércio, antiga Recordati Indústria e Comércio. Com a imensa transformação que vem ocorrendo na região, a atual proprietária da antiga construção, a incorporadora norte-americana, Tishman Speyer pretende transformar o imóvel em um centro cultural público.

É importante que se faça algo o mais rápido possível para preservar o casarão, pois parte da história de São Paulo está em vias de virar pó.