Primavera quase no fim, 43 graus na zona oeste da "Cidade Maravilhosa". Muito calor. É preciso passar protetor solar todos os dias antes de sair. O trem, que liga o meu bairro ao centro do Rio de Janeiro, graças às mudanças feitas em 27 de outubro, leva 40 minutos para que eu chegue ao meu destino todas as tardes. Ainda assim, a cidade cobra muito e devolve muito pouco. Da mesma forma, crianças chegam ao fim do ano letivo sem saber muito; menos ainda suas famílias, que na maioria dos que lotam as salas das escolas públicas pertencem à comunidades e e subúrbios.

Raras são as que percebem a importância de ler e, muitas destas famílias, encaram as escolas e principalmente seus professores como inimigos, dignas de lhes concederem indulgência por eles serem desprovidos.

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Mas, todos possuem celulares com internet rápida, programas mensageiros e a entorpecência das redes sociais. A maioria, a favor das bancadas conservadoras e conhecem os últimos "hits" gospel do momento de cor. Se eriçam quando dizem que a maioria dos tele-pastores fala coisas fora da bíblia.

Por outro lado, é quase verão. As populações lotam as praias, e a gente bonita sai com seus trajes de banho ou não, na última moda. Os trabalhos no fim do ano vão adquirindo um cansaço peculiar. E as ruas co centro do Rio de preparam pra famosa chuva de papel picado. Os garis, certamente se preparam para limpar a mão única da avenida Rio Branco, como a parte esburacada dela também.

A classe média ficou triste que seu candidato não ganhou. Mas, a candidata da esquerda parece ser classe média também, pois adotou as medidas que um de direita adotaria para equilibrar o país.

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Os escândalos de hoje e do passado continuam sendo descobertos, e todos acham que não dará em nada. Mas a reação da maioria é que a estatal que sofre essa sangria anual e diária ficará ferida e suas partes nunca valeram tão pouco. Há quem diga que isso é uma manobra trazendo exploradores lá de fora para o nosso banco marítimo subterrâneo. E há quem diga que isso não acontecerá.

O prefeito da cidade a vende de leve, por pedacinhos, e aos poucos toda a cidade aceita esse inevitável, rumo às "Olimpíadas". Pessoas continuam sendo expulsas sem ter pra onde ir. Já se tornam uma vitrine torta para os entediados europeus e do resto do mundo. E assim famílias perdem suas histórias nas comunidades. Vendas e alugueis continuam subindo, apesar da leve tendência pra que desçam, os serviços públicos continuam caóticos, e viver na cidade maravilhosa, para quem mora no subúrbio talvez não seja tão maravilhoso assim. Quente, caro difícil de sair, caótico para voltar, pessoas e famílias se aninham pelas mil cores da mídia em busca de um entorpecente.

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Quer seja nos subúrbios, ou no coração que abriga a bruxa boa do cartão postal da cidade de telas e novelas no sul da cidade.

Não se fala mais dos desmandos do Estado, e suas contas caóticas e coronelistas. Não se fala mais nos aumentos e nos abusos. "Vamos lá , tudo bem ? Eu só quero me divertir!". Menos ainda para se pensar que talvez 2015 seja caótico, mais que este ano. "É verão, escola? Fala que eu não vou!".

De fato é férias e todos devem aproveitar. É fim de ano e festejar é necessário. Não importa quem ou que vença. A cidade dorme acordada em seu calor, não percebe o perigo que corre, a necessidade de desfazer a barreira invisível entre subúrbio e zona sul. Pra que juntar a cidade?

O verão chega. Com ele a imensa onda de calor. Eu transpiro como um rio. Não espero que me achem certo ou errado por ver que o que se precisa é um caminho do meio, onde se equilibre o social com o econômico, sem farsas, só verdades. Mas todos nós estamos estamos "confortáveis e anestesiados", inclusive eu, qual utilidade de me preocupar? Vamos curtir. É verão! #Opinião #Curiosidades