Falar hoje, em pleno século XXI, em direitos é, no mínimo, paradoxal. É uma grande tristeza pessoal, porque pressupõe que os direitos humanos são ainda, um assunto. E não deveriam sê-lo, depois de milênios de civilização.

Chegamos à lua, descobrimos a cura para doenças, fizemos a fusão do átomo, dominamos as ondas cartesianas, ultrapassamos a barreira do som e a cada dia nos espantamos com o que, como humanidade, conseguimos fazer, e continua a ser preciso dizer que o Homem tem direitos inalienáveis que, se forem violados, toda a Humanidade é ofendida.

Continua a não ser pacífico, continua a não ser global, continua a não ser de todos, a evidência de que um ser humano que não pode defender-se, não pode ser maltratado.

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A Anistia Internacional centra o seu trabalho concretamente na cláusula dos direitos humanos que se refere ao "tratamento cruel, desumano ou degradante". Assim, a AI considera prisioneiros de consciência todos aqueles que estão em cativeiro apenas por terem ideias "diferentes", mas que nunca usaram ou defenderam a violência. E são milhares os que, pelo mundo afora, estão presos ou são torturados só porque subscrevem partidos políticos não legalizados, ou porque rezam a um deus diferente - ou não rezam - ou porque querem viver uma sexualidade que sai dos trilhos que alguém traçou. Milhares a quem é negado o direito à opinião, à crença, ao prazer, à diferença, enfim, o direito a ser minoria onde a maioria tem a força. E isso acontece num tempo acima do nosso tempo!

Ficarão para sempre impunes as vidas que não puderam ser cumpridas em liberdade, as ideias que morreram ao nascer, as lágrimas que foram choradas por todos aqueles que ousaram a diferença.

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É disso que se trata: do direito à diferença, desde que a diferença não invada o espaço individual. O lema da AI é a conhecida frase" Posso não concordar com o que diz mas defenderei sempre o direito a dizê-lo". Só a defesa intransigente do respeito pelo outro garante a incondicional defesa dos nossos direitos individuais.

Um dos últimos grandes gritos da Anistia Internacional foi para fazer ouvir o que se passa nas Filipinas, onde a polícia muitas vezes age acima da lei e impunemente usa métodos repugnantes como choques elétricos, asfixia e simulações de execuções a presos.

O secretário geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, disse que essa situação não se refere a alguns casos isolados, mas que tem na polícia desse país uma recorrência assustadora. #Justiça