Esta semana, numa estrada federal em Santa Catarina, quatro marginais cometeram um ato no mínimo ousado, simulando uma blitz em uma das rodovias mais movimentadas do País. Os meliantes pararam um ônibus que trafegava na BR-101, na cidade de Barra Velha, em Santa Catarina. Os passageiros de um ônibus de turismo foram feitos reféns durante a falsa abordagem. Embora a ação tenha sido flagrada por uma câmera da rodovia, os falsos policiais estavam armados com fuzis e pistolas e vestiam roupas parecidas com as da Polícia Civil. O ônibus saiu de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com destino a São Paulo, com 32 passageiros e dois motoristas. Os passageiros foram feitos reféns e obrigados a ficar nus.

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O condutor de um guincho desconfiou da blitz e chamou a PRF (Polícia Rodoviária Federal). Até o momento ninguém foi preso.

Este é mais um fato que demonstra a fragilidade da segurança pública no país. Como se não bastasse a insegurança nos grandes centros e que também já bate violentamente às portas das pequenas cidades do interior em todos os estados, especialmente com arrombamentos de caixa eletrônicos, as quadrilhas estão indo para as estradas travestidas de policiais. No Rio de Janeiro, há tempos atrás, essa ação acontecia com frequência, com ataques rápidos em alguns pontos, próximos a trechos de grande circulação de veículos, entrada de favelas e aglomerados urbanos com alto índice de violência.

Uma das vezes que fui ao Rio deparei com uma situação inusitada com essas características.

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Embora não tenha sido abordado, acelerei e consegui sair do corredor por eles feito. Era madrugada e próximo à favela da Rocinha, sentido centro; no trecho apenas homens uniformizados, nenhuma sinalização avisando o trabalho da Polícia. Quando entrei recebi sinalização de lanterna para parar, desacelerei, dei seta, e um amigo acendeu a luz interna do carro. Ao passar pela blitz, que acreditei como falsa, disse aos amigos rapidamente que era falsa, assumi o risco e em seguida acelerei violentamente e disparei pela avenida.

Conheço o uniforme da Polícia Militar do Rio, conheço as viaturas, o jeito de sinalizar ao usuário da pista. No local, não havia cavaletes nem cones; as luzes das viaturas que sempre sugerem que há policiais trabalhando estavam apagadas, sem coletes reflexivos, enfim estava tudo errado. Felizmente não fomos perseguidos.

Isso me leva a repensar o nosso modelo de segurança pública, mais ainda as nossas leis. Esse fato no perímetro urbano retrata o que o cidadão carioca ainda passa no dia-a-dia e os que visitam a cidade estão sujeitos, de repente a deparar com uma blitz falsa e serem roubados.

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Agora os bandidos vão para a rodovia e sequestram um ônibus, deixam os passageiros nus e levam seus pertences. É uma tragédia urbana atrás da outra, ataques às instituições de segurança, assassinatos de policiais, viaturas metralhadas, furtos de armas dentro dos quartéis e as autoridades tentando secar o gelo, numa guerra sem fim, ou pior, sem perspectivas.

É bem verdade, o crime não manda aviso e a Polícia nem tem o dom da onipresença mas, ouso afirmar, o crime, está mandando um recado às forças policiais e às autoridades: compensa ser marginal no Brasil. Presos têm mais regalias que pessoas que produzem, mais direitos que qualquer trabalhador, mesmo dentro dos presídios. De lá é que acabam sendo planejadas essas manobras criminosas audaciosas à luz do dia, porque à noite todos os gatos são pardos.

Sofre a população com o enfraquecimento das forças policiais a cada ação criminosa desse naipe, sofrem as forças policiais pela impotência de ficar correndo feito gato atrás de rato. São tantos e se confundem, entram pelos esgotos, pelos lotes vagos, pelos prédios abandonados, pelos casebres nos grandes aglomerados ou nas mansões, locais quase sempre inatingíveis e inimagináveis. De vez quando a Polícia dá um dentro. É uma luta inglória, mas é a eterna luta do bem contra o mau...e o bem há de ganhar. #Opinião