O desinteresse da Rede Globo em renovar o contrato com a apresentadora Xuxa merece uma séria reflexão sobre os rumos, ou mais especificamente, sobre a falta de rumo que vem tomando a programação da Tv aberta. Com o crescente número de assinantes da TV fechada, as emissoras das Tvs abertas enfrentam uma crise de identidade sem precedentes. Para sermos mais explícitos, uma coisa está associada a outra. A falta de criatividade e de ousadia das emissoras têm sido determinante para que cada vez mais, as pessoas migrem para a TV fechada. Se não, vejamos quais são os atrativos que as emissoras abertas têm proporcionado aos telespectadores?

Novelas, em sua maioria, têm optado por remakes de antigos sucessos e outras têm se notabilizado por carregar cenas de sexo e explorar a tão batida divisão de classes.

Publicidade
Publicidade

No humor, muito pastelão requentado e caricato sem, é claro, descambar para a vulgarização barata. E nos programas de auditório então? Pouca coisa se salva, muito assistencialismo barato, muita apelação para o emocional, e uma coisa que é mais gritante: pouco espaço reservado para a apresentação de música. Quais são os programas em que vemos cantores de MPB, tanto os medalhões, quanto os novos, de rock, ou de outros gêneros, que se apresentam nas emissoras? Da para contar nos dedos, Altas Horas, Programa do Jô, The Noite, o que se nota é uma padronização, uma uniformização de quadros, que denota um sério problema de falta total de ousadia.

Mas, se tem algo que chama muito a atenção e que aí diz respeito diretamente à Xuxa, é o fim dos programas infantis nas televisões abertas. Basta notar que, na maioria das emissoras, a programação infantil que era reservada no período da manhã e parte do período da tarde, aos poucos foi sendo substituída por programas de variedades e de culinária e de jornalismo.

Publicidade

Atualmente, qual é a referência da garotada na teve aberta? Não há. Tanto que as antigas apresentadoras de programas infantis que se encontram nas TVs abertas migraram para outros tipos de programas como Eliana e Angélica, por exemplo. Xuxa, no entanto, ficou pelo caminho.

Com grande parte de sua carreira guiada por Marlene Mattos, depois que rompeu com sua antiga empresária, Xuxa nunca mais foi a mesma e daí pode se questionar: Xuxa tinha força porque a Marlene Mattos criou um personagem em um contexto muito específico? Programas infantis nos anos 80 e parte dos 90, na era pré-internet e quando esse contexto deixou de existir, o personagem foi tragado totalmente. Mas, e o carisma da antiga apresentadora para onde foi? A Globo ainda fez diversas tentativas com Xuxa, tanto para apresentar programas para adultos quanto adolescentes, mas o fato é que aquele personagem Xuxa, criado pela Marlene Matos e que ficou marcado no inconsciente coletivo do público persistiu e, o que é pior, até a a própria apresentadora não conseguiu se desvincular do personagem, daí as tentativas foram em vão, haja vista os baixos índices de audiência alcançados.

Publicidade

Aos 51 anos, afastadas por problemas de saúde, Xuxa é o retrato de um refém de um personagem datado, refém de uma era que não existe mais e que precisa se reinventar e para isso, precisa mostrar finalmente a que veio, para isso precisa revelar talento para dar essa virada. Dizem que a TV Record, demonstra interesse, será que em uma emissora, cuja maior preocupação e que consiste em seu maior erro: de a todo momento, buscar alcançar o padrão global, ela conseguirá dar a tal virada que outras apresentadoras que faziam programas infantis e que hoje fazem outros tipos de programas conseguiram? Só o tempo dirá se o ciclo de Xuxa na Tv chegou ao fim ou não. #Famosos #Televisão #Opinião