Foram destaque na imprensa brasileira as declarações no mínimo desastrosas do prefeito de Guarapari, no Espírito Santo, às vésperas da alta temporada turística da cidade. Orly Gomes (DEM) afirmou que prefere receber no balneário, turistas "mais qualificados", e disse ainda que pretende limitar o número de pessoas em casas de veraneio, além de regular a entrada de ônibus de excursão.

Principal destino de turistas mineiros durante o verão, Guarapari não foi atingida por nenhum "raio gourmetizador", nem muito menos oferece um "balneário qualificado", a ponto de exigir tanta excelência na hora de receber hóspedes.

Na mirabolante ideia do edil, o município precisa saltar dos atuais R$ 86,00 per capita gastos com o #Turismo para, no mínimo, R$ 200,00.

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A pergunta é: são oferecidos serviços de qualidade pela prefeitura que justifiquem a atração de tal investimento dos turistas?

A cidade sofre há anos com o problema da falta d'água durante o verão, sem falar no saneamento precário, que brinda moradores e turistas com mau cheiro, poluição e os temíveis mosquitos (murissocas, borrachudos e outras denominações) que atrapalham desde uma tranquila noite de sono, como também podem trazer complicações cutâneas aos mais sensíveis.

Muitos moradores não concordam com as medidas, consideradas discriminatórias por boa parte da população. Alguns dizem que o município "não tem nem rodoviária, nem hospital". E que "o prefeito Orly Gomes deveria resolver esses problemas, e não inventar outros, o que vai acabar afastando todos os turistas de Guarapari".

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Vários jornais de Minas Gerais também criticaram duramente as afirmações de Orly Gomes. "Prefeito de Guarapari dispensa turista pobre", estampava a capa de um jornal de Belo Horizonte. "Se você não tem condição de gastar R$ 200 por dia, não será bem recebido em Guarapari", escreveu O Estado de São Paulo.

Uma sugestão para aumentar a entrada de recursos na prefeitura sem discriminar turistas é a melhoria na fiscalização de emissão de notas fiscais de serviço nas pousadas, hotéis, restaurantes e imobiliárias. Isso seria uma boa investida contra a sonegação. E o melhor: sem precisar apelar para medidas preconceituosas e antipopulares. E aí, prefeito... Tem coragem?