Vítimas do terremoto que causou devastação ao país, em janeiro de 2010, os haitianos que se refugiam no Brasil vão ganhando estabilidade. Primeiramente, os homens se deslocavam e deixavam mulheres e filhos para trás. Entre 2010 e 2014, foram 9 016 carteiras de trabalho expedidas, em Manaus, para os haitianos. E agora, depois de expectativas, já há empregos.

Com empregos, estão trazendo suas famílias e seus filhos. Os filhos já estão tendo escolas. É verdade que alguns gostariam de trazer parentes, principalmente irmãos, o que demanda mais tempo para se concretizar. Um exemplo dessa situação é a do pai de Kendia Saloman, menina de 9 anos, que chegou a Manaus em 2013, com as duas irmãs e a mãe.

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Ele chegou antes, em 2011, deixando dois irmãos para trás, os quais só poderão chegar no ano que vem.

Para as escolas, torna-se um grande desafio, notadamente no processo de alfabetização. A rede de escolas municipais, segundo informações da Secretaria Municipal de #Educação, tem hoje 77 haitianos estudando. A haitiana Kendia Saloman, por exemplo, estuda na Escola Municipal Waldir Garcia, situada no bairro São Geraldo, que tem 16 dos 77 mencionados.

Na alfabetização, os recursos são variados, a partir da mímica, da demonstração de objetos para a interpretação verbal, como água, bebedouro, cadeira, carteira, banheiro, por exemplo, formando um contato básico para entrar na alfabetização, através das vogais, consoantes, sílabas, palavras, e daí se chegar à leitura e à escrita.

O domínio do português pelos adultos é dificultado pelo pouco tempo de que dispõem, em razão da dedicação ao trabalho.

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Mas os filhos ajudam pela necessidade de nomear objetos e outras situações em português. Há também o problema do convívio. Além da questão da alfabetização e da utilização do idioma, há crianças com problemas de relacionamento, principalmente as que foram amparados por terceiros, criados sem os pais desaparecidos. Chegam agressivas, arredias, alguns com ânsias de agredir pessoas, principalmente professores. Crianças sem noção de limites ou obediência, realmente infelizes. Ainda há a situação dos pais que, chamados a colaborar com a escola, não o fazem, pois, por terem ficado, por um tempo, longe dos filhos pela tragédia, sentem-se culpados e enchem os filhos de mimos e concessões que dificultam o comportamento escolar. É triste assistir a isso.

Mas há ainda haitianos tralhando sem carteira assinada, sem condições de trazer a família, alguns com dificuldade de se comunicar em português. A ONG Ama Haiti, por exemplo, abriga hoje, no bairro Parque das Laranjeiras, 40 homens em uma casa de três andares, alguns nessa situação. Um deles, Pierre Paner, de 57 anos, trabalhou, sem carteira assinada, na ampliação da calçada em redor da Arena da Amazônia, um dos palcos da Copa do Mundo. Outros trabalham como autônomos, vendendo coisas... #Amazonas