A cidade grande, acostumada ao burburinho maluco do trânsito e ao vai e vem de seus transeuntes, que loucamente atravessam as faixas de pedestres, passarelas ou mesmo se arriscam em locais inapropriados, se vê solitária e vazia em dias de feriados, principalmente, os mais prolongados.

Em dias normais, o barulho nos centros urbanos é tão intenso que estudiosos sobre o assunto afirmam ser esse, um dos grandes males que afeta a saúde do ouvido humano, além de causar perturbações físicas, mentais e psicológicas, devido à exposição constante da poluição sonora. Tudo isso reflete na qualidade de vida das populações que habitam as muitas metrópoles, espalhadas pelo mundo todo.

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Nesses locais, há uma inviabilidade ao silêncio, em todas as horas do dia.

Essa convivência, para aqueles que estão nesse ritmo frenético e confuso, é parte de um conjunto latente e engrenado, cujo motor propulsor é tudo que compõe a cidade, com: pessoas, carros, motos, caminhões, arranha-céus, buzinas, poluição (sonora, visual, auditiva), sujeira urbana, sinais não sincronizados, engarrafamentos, discussões sem lógica, roubos, mortes, acidentes, e tantas outras coisas. Como se fosse à mecânica de uma grande subestação, que necessita de ferramentas importantes para funcionar e ter vida, mesmo que seja nesse contexto dualista e complexo.

Assim, somos nós, "urbanos por excelência", um apêndice facetado de um conjunto de teias, que coexiste e se integra à metrópole, dando significado para um desenvolvimento que não cessa de expandir-se para todos os lados, agregando áreas cada vez maiores que se intitulam regiões metropolitanas.

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São nesses habitats que vivemos os 365 dias do ano, com mais aquelas 6 horas que completam o calendário no mês de fevereiro, compreendido como ano bissexto. Somos citadinos por primazia e, na maioria dos casos, fomos nós que escolhemos viver desse modo, pois são nesses locais que as oportunidades são frequentes, apesar do sentimento que supõe estarmos em luta eterna, um contra o outro, todo o tempo.

Contudo, é exatamente nos feriados que sentimos a ausência do convívio turbinado dos sons que emanam da confusão da cidade, que parece familiar e aconchegante. É quase sem sentido afirmar isso, porém reside em nosso interior naturalmente.

solidão nas grandes metrópoles, em dias de feriados.

Portanto, quando não optamos por sair da cidade nos feriados, percebemos que o vazio sobrepõe a ausência das agitações cotidianas e, então, assola uma saudade danada dos nossos dias "normais". O coração triste se recente e a solidão bate a nossa porta. Fazer o que? Ficar em casa foi resultado de uma escolha.

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Então qual solução encontrar, para resolver a questão? Nada a fazer.

Assim, curtir o silêncio e isolamento voluntário dará uma nota à reflexão. O feriado de Ano Novo, a virada do ano de 2014 para 2015 se aproxima e da janela os fogos multicoloridos abrilhantarão a festa. As explosões trarão de volta antigas lembranças de veredas trilhadas e, com elas, lágrimas cairão sobre o rosto, cristalinas e quentes, envoltos em pensamentos esperançosos e retraídos.

Enfim, muito breve o cotidiano alvoroçado se fará presente, para então seguirmos o nosso caminho em direção ao turbilhão caótico da cidade, que tanto preenche a nossa voraz existência. #Opinião #AnoNovo2015