Quem vem para a cidade de São Paulo para comprar produtos baratos e variados ou então para comprar produtos naturais tem que, necessariamente passar por dois endereços obrigatórios: Rua 25 de Março e zona cerealista, respectivamente. Ao ir de um endereço para o outro, ambos muitos próximos, o visitante irá se deparar com uma ampla área e que hoje, fruto do descaso de diversos prefeitos, agoniza e representa um sério perigo para os consumidores, em razão do local ser muito propício, por seu estado de abandono, para diversos tipos de assaltos: O Parque Dom Pedro.

No entanto, nem sempre aquela região foi assim. Se recuarmos no tempo, veremos que no início da década de 1910, São Paulo, que começava a se reurbanizar, tinha como modelo, a Europa.

Publicidade
Publicidade

Assim, tendo como esse parâmetro, todas as construções tinham como fonte de inspiração construções das grandes cidades do velho continente; no nosso caso, Paris era fonte de inspiração. Naquele período, decidiu-se construir dois grandes parques na cidade, nos moldes parisienses: um no Vale do Anhangabaú e outro na antiga várzea do Carmo. Como o dinheiro era insuficiente para dar conta desse empreendimento, optou em, por exemplo, no caso da Várzea do Carmo dividi-la em 25 lotes. Com a venda de 24 desses para a Colônia Síria, foi possível obter o dinheiro para a construção do Parque que servia de ponto de encontro e de passeios para os imigrantes que chegavam para trabalhar nas indústrias que haviam no bairro do Brás, bem próximo da região. No local, foi construído entre 1912 e 1924, o Palácio das Indústrias, que serviria, inicialmente como centro de exposição e que depois teria diversas finalidades, tais como sede da Assembleia Legislativa, delegacia de estrangeiros, delegacia de polícia e mais recentemente, já no final da década de 1980 até 2004, sede da Prefeitura da cidade de São Paulo.

Publicidade

Com a transferência da sede da prefeitura para o antigo edifício Matarazzo, ao lado do Viaduto do Chá, passou a sediar o Museu Catavento. O fato é que desde então, essa que é uma das poucas construções remanescentes dos tempos áureos daquela região, foi acompanhando a rápida decadência do Parque Dom Pedro.

Grande parte dessa decadência teve início na gestão do então prefeito Faria Lima, entre as décadas de 50 e 60, e seu projeto Grande Avenidas, que, com a expansão das vendas dos carros, propunha a construção de grandes anéis viários para interligar os bairros. Aquela região foi, sem dúvida, uma das mais sacrificadas, com a construção de diversos viadutos por cima do parque e já nos anos 1970, com a construção de um terminal de ônibus bem ao lado do Parque. Mesmo assim, mais recentemente, foram feitas diversas tentativas de recuperar o parque, a mais recente foi feita pela então prefieto, Marta Suplicy, entre 2000 e 2004, quando ao deixar o Palácio das Indústrias, prometeu revitalizar o Parque, devolvendo-o como área de lazer à população.

Publicidade

No entanto, todo o dinheiro dispendido com essa finalidade foi em vão, pois hoje ao circular pela região, verifica-se que até pouco tempo, além dos ínumeros mendigos e viciados em drogas, que circulam pelo parque, havia, até bem pouco tempo, diversos sem teto morando por lá, sem contar com a sujeira  por todo o lado. Em uma cidade carente de espaços públicos de lazer para a população, um desperdício de uma área de mais de 400 mil metros quadrados é algo muito grave e desalentador. Enquanto nada ocorre, o Palácio das Indústrias, permanece belo e imponente, agora como um museu em que é possível conhecer um pouco da história de nossa indústria, dos avanços da ciência e, é claro, conhecer um pouco da história do próprio Palácio, esse heróico sobrevivente de um espaço de um passado belo e importante da cidade e que aguarda pelo retorno de dias melhores.