A presidente Dilma manifesta grande preocupação quanto à escolha de seus ministros e afirma que fará consulta ao Ministério Público sobre nomes de ministeriáveis. A ideia é que não venha a nomear algum ou alguns denunciados em corrupção. Seria lógico submeter nomes à apreciação dos partidários que apoiam o #Governo mas, a submissão ao crivo do MP esclareceria se haveria envolvimento de nomes no esquema de desvio de dinheiro público que está sob investigação da Polícia Federal ou sob a do próprio MP.

Em café da manhã que ofereceu aos jornalistas no Palácio, Dilma manifestou preocupação com o movimento de oposição pelo impeachment contra ela.

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Tentou passar a preocupação dentro de uma investigação, não de crise. Tentou passar a convicção de que a ideia de impeachment, mesmo com o trabalho das redes sociais, já não se aplica mais ao Brasil.

Pelo Twiter, o ex-ministro do Tribunal Superior Federal, Joaquim Barbosa, criticou a presidente pela iniciativa de consultar o Ministério Público antes de nomear seus ministros, afirmando que se trata de uma "degradação institucional", completando que ela "não dispõe de pessoas lúcidas para aconselhá-la". Explicou que a degradação institucional ocorre quando o chefe de governo recorre a outro órgão de execução da lei ("de persecução criminal") para assessorá-lo com informações. Ministério Público é para controlar desvios e investigar, não para assessorar.

Entre pessoas conselheiras de Dilma, está o ex-presidente Lula, que ontem, pelo O Globo, afirmou que a política precisa de ética, boa referência para os que a utilizam de modo a poder ocupar o cargo de ministro.

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Cabe saber o que é Ética na prática do ex-presidente Lula...

Dentre os seus ex-ministros e ministros atuais, há outros exemplos, bons e maus. E outros também que ocuparam cargos que os categorizariam ao cargo de ministro. Neste caso não seria Graça Foster que, embora não esteja sendo investigada, recebe acusações, principalmente de Venina Velosa da Fonseca, a respeito de ter tido conhecimento de corrupção na Petrobras, empresa que preside. Mas, cito um caso que trouxe decepção e prejuízo a professores, funcionários e alunos de duas universidades cariocas, caso que não mereceu o tratamento que deveria.

A Universidade Gama Filho, tradicional estabelecimento de ensino de grande prestígio, e UniverCidade, outro estabelecimento de nome, sofreram pela má administração de sua nova entidade mantenedora. A posição do MEC, cujo ministro era o eclético Aluísio Mercadante, foi decretar o fechamento das duas. Simplesmente, sem melhores determinações. Na ocasião, lembrei-me do tempo em que eu exercia a função de inspetor estadual de escolas.

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Numa situação assim, de escolas que mereciam intervenção do estado, deveria haver investigação que, podia culminar com o fim das suas atividades. Mas havia uma grande recomendação: salvar a vida escolar dos alunos, evitando que fossem prejudicados. Isso no antigo ensino de primeiro e segundo grau.

Punir a escola, sim. Mas, para os alunos, todos os meios legais e pedagógicos para protegê-los. Isso faltou ao MEC. Será que o ministro não teve inspiração e bom conselho? Ou será que lhe faltou conhecimento de causa? Alunos perderam estudos feitos.

Claro que o cargo deve ser exercido por pessoa competente, conhecedora das necessidades e responsabilidades do cargo. O ruim é ter a obrigação de atender às necessidades partidárias. A presidente Dilma tem mais um problema diferente: nomear quem não tem envolvimento com a corrupção instalada em seu governo, a tal do "desconhecia", do "nunca soube", do "nunca me falaram", do "ninguém me avisou", a do pretexto oficial. A decisão da presidente de consultar o MP cria consequências institucionais, com ou sem "segredos de justiça". Pior se as qualidades dos ministeriáveis entrarem na fala da presidente: "Não quero saber do resto. Eu quero saber só disso". E nós?



#Dilma Rousseff