Agora foi pessoalmente e em público. Venina Velosa da Fonseca reiterou, em entrevista ao Fantástico, tudo que foi publicado no Valor Econômico (alertas e e-mails enviados ao ex-presidente da Petrobras, Gabriele; à atual presidente, Graça Foster; ao diretor de Abastecimento na época, Paulo Roberto Costa; e outros atuantes na Petrobras). Depois, também ao atual diretor José Carlos Consenza. Afirmou que fez denúncias pessoalmente. Enfim, ficou muito claro o sentido da denúncia. Denúncia contra o esquema de corrupção que a Petrobras sofria de 2005 a 2009, do superfaturamento da Refinaria Abreu e Lima, de Pernambuco.

Na denúncia, constava nos e-mails:

a) o pagamento de R$ 58 milhões por serviços não executados na área de comunicação;

b) superfaturamento, de R$ 4 milhões para mais de R$ 18 milhões, na Refinaria Abreu e Lima, o que teria facilitado a Toyo e a UTC Engenharia, já acusadas na Operação Lava Jato;

c) irregularidades na comercialização de bunkers (óleo para navio), que causou uma perda de 15%.

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E outras mais já mostradas em artigo anterior.

Venina Velosa da Fonseca disse, no programa Fantástico, que alertas à presidente a respeito de irregularidades não aconteceram somente por e-mails. Em relação às denúncias, havia a preocupação de Venina em fazer com que todos os seus superiores soubessem o que se passava na empresa.

Importante foi o encontro pessoal que teve com Graça Foster, quando esta era diretora de Gás e Energia. Discutiram o assunto das denúncias. Graça Foster recebeu a documentação das denúncias na área de comunicação e também teve conhecimento das irregularidades na reunião da diretoria executiva. Venina era gerente executiva corporativa e responsável pelo orçamento.

Quanto aos e-mails, se ficou dúvida quanto ao que estava sendo denunciado, Venina reclama de Graça.

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"Se isso não está suficientemente claro, eu, como gestora, buscaria uma explicação, principalmente de uma pessoa que eu tinha muito acesso. Nós tínhamos muito acesso, éramos muito próximas. Então ela teria toda liberdade de falar: Venina, o que está acontecendo?", disse.

Sobre o que declarou de esquartejamento de projetos, Venina explicou que, como são várias construções em um só projeto, há a diversificação de contratações, o que facilita ou dificulta a fiscalização, clima para a corrupção. A denúncia foi incompreendida, é lógico...

Do encontro com Paulo Roberto, diante da denúncia na área de comunicação, Venina falou que estava tomando conhecimento do tal esquartejamento, e que era grave, ao que, Paulo, primeiro recomendou que ela procurasse o gerente responsável pela área. Como Venina dissera que já teria feito isso, ele, depois, apontando para o retrato do presidente Lula (então no exercício do mandato) e para a sala do presidente Sérgio Gabrielle, disse, irritado "Você quer derrubar todo mundo?" Ao que Venina, assustada, respondeu: "Olha, eu tenho duas filhas, tenho que colocar a cabeça no travesseiro e dormir.

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E no outro dia eu tenho que olhar nos olhos delas e não sentir vergonha."

A entrevista não parou por aí. Até aqui, exemplo de coragem, determinação e amor ao nosso maior orgulho e a esperança de que os culpados sejam punidos, de dentro e de fora. Todos! #Governo #Opinião