O Itaquerão, estádio do Corinthians, localizado na zona leste de São Paulo, muda a rotina de moradores da comunidade próxima, que fica a menos de um quilômetro da Arena. Inaugurado oficialmente em 18 de maio, o espaço conta com mais de 49 mil lugares. "Em dia de jogo, isso aqui parece outro lugar", conta Lúcia, moradora da comunidade na Rua da Penha e vendedora de loja no Itaquera Metrô Shopping.

Diversas moradias irregulares, crianças jogando futebol na rua, comércio, estação de metrô e um shopping compõem o cenário junto ao ilustre Estádio. "Tem tudo que eu preciso aqui por perto: padaria, mercado, metrô para ir ao centro da cidade, postinhos de saúde, escola para as crianças, farmácia", conta Lidiane Santos, acomodada em uma residência na favela.

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O conjunto habitacional Vila da Paz abriga 300 famílias e possui mais de 18 anos de existência. Com o grande evento da Copa do Mundo, famílias numerosas foram retiradas da região por meio de programas governamentais. "O destino das famílias foi participar do Programa Minha casa, Minha vida, que demora muito tempo para contemplar os inscritos ;voltar para a terra de origem ou arranjar outro lugar para morar. O Governo deu uma pequena quantia para que essas pessoas fossem embora. A questão é que eles não querem que ao lado do estádio tenha favela", revela a moradora.

O Governo estava preocupado apenas com a parte estética da região, com as mega obras, com o público que estaria presente no grande acontecimento em meados de 2014, a Copa do Mundo. "O bom é que a região ficou mais valorizada", conta Lidiane.

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Lidiane reside no local há oito anos, há cinco anos antes da construção do estádio, e compara sua rotina de agora com a de antes: "O problema para mim que mais pesou, foi o trânsito. Principalmente na época da Copa, tudo estava parado. Como eu trabalho no centro, eu pegava o carro e, em dias normais, demorava quarenta minutos(para chegar ao trabalho), em dia de jogo, uma hora a meia", diz, revoltada com a realidade.

Mariana Santos, 17, filha de Lidiane, ajuda a mãe com os serviços domésticos no tempo livre da manhã e à tarde, estuda. "Estudo em uma escola aqui perto, vou a pé, é rapidinho. Aqui na comunidade tem tudo que preciso. Praticamente, minha vida gira em torno disso. Quero estudar mais, fazer faculdade de Direito".

A vinda do estádio trouxe empregos e uma vida mais ativa para as pessoas que residem por perto. Segundo dados divulgados pelo Centro de Apoio ao Trabalho (CAT), no período da Copa do Mundo, 872 vagas foram abertas para o auxílio em obras, organização, auxiliar de caixa, atendente de lanchonete, promotor de vendas e supervisor de loja.

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"Eles divulgaram alguns cargos para o pessoal que mora aqui, foi bom porque gerou emprego. Mas eu mesmo, não quis", conta Luís Afonso, despreocupado.

O Itaquerão foi alvo de tumulto e críticas para moradores locais na época da Copa. "O pior dia foi Brasil contra Chile. Ficou tudo entupido, nenhum carro se movimentava. A avenida ficou travada e, no metrô, ninguém entrava e nem saía. Nossa, foi o pior dia", relembra Afonso.

Afonso reside na comunidade próxima do Itaquerão há quatro anos. Sua rotina se resume em tomar conta de uma lojinha de alimentos.

É claro que a Arena Corinthians valorizou o local e trouxe beleza ao bairro, porém, quando há temporada de jogos, a população da Zona Leste tem que sofrer as consequências.