Depois de conquistar seu pedaço no mercado de refrigerantes, o guaraná, ganha agora um aliado, oriundo, também da floresta amazônica: o açaí. Juntos na mesma bebida, o refrigerante entra no mercado à procura da geração que cultua o corpo e a natureza, numa clara aposta contra os refrigerantes de cola ou de cores e sabores de fantasia.

O refrigerante de guaraná é autenticamente brasileiro, e foi criado há pouco mais de cem anos. A fruta e seu uso são tradicionalmente conhecidos pelas populações amazônicas pré-colombianas e usados como energético, estimulante, fortificante, anti-inflamatório e antioxidante. Mesmo sem ter conhecimentos bioquímicos, esses povos já sabiam dos bons efeitos da fruta.

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Para ser comercializado, foi feito o extrato da fruta e a ele misturados os ingredientes básicos das bebidas chamadas de refrigerantes. Estava criado o Guaraná, que já ganhou adeptos em todo o mundo, sendo um dos refrigerantes mais consumidos no planeta. Ponto para a floresta amazônica.  

O açaí, fruta consumida em polpa com diversos acompanhamentos, sempre foi a base da alimentação de estados como o Pará, Acre, Rondônia, #Amazonas, Maranhão e o Amapá. No final do século passado virou a pedida da moda dos "naturebas" desde que foi associada a um estilo de vida de quem se preocupa com a saúde, e ganhou status de comida sofisticada nas cidades onde a fruta era exótica. Virou moda consumir açaí, mesmo que seus consumidores pouco se importem se o que eles ingerindo como sendo polpa de açaí seja, na verdade, uma mistura de polpa, água, e até amido de milho para dar consistência ao produto.

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O que vale é a intenção.

Talvez a proposta da indústria fabricante do refrigerante esteja baseada nessa intenção de consumir o melhor da natureza, porém, tendo que passar pela indústria para uma melhor produção e comercialização do produto. A campanha publicitária do produto indica que ele é produzido com guaraná, açaí e frutas da Amazônia, porém, não diz quais são essas outras frutas. Estarão utilizando o buriti, o cupuaçu, o camu-camu, o tucumã, a bacaba ou o taperebá? Todas, ou só algumas?

Isso não tem importância ou o povo que bebe não se preocupa com o que tem dentro da garrafa, consumindo só por ver as cores, as imagens e as palavras da embalagem?

Enganando-se ou não sobre sua composição e sobre a essência "natural" da bebida, o consumidor terá à sua disposição mais uma variante do autentico refrigerante brasileiro, agora com açaí e outras frutas amazônicas, mas que, como todos os outros, tem em sua fórmula os tão necessários antioxidantes, acidulantes, conservantes e o dióxido de carbono, comuns a todos os outros refrigerantes.

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Mais natural que isso, só mesmo indo aos mercados amazônicos, em Manaus, Belém, Macapá, Óbidos, Santarém, Porto Velho ou em outras cidades onde essas frutas não são exóticas, e comprar ou consumir por lá mesmo, os verdadeiros e naturais guaraná e açaí, mesmo que não sejam tão palatáveis quanto uma beberagem vendida no supermercado da esquina.

Além de ter à mão os verdadeiros produtos naturais, você ainda poderá desfrutar de toda a exuberância que a natureza oferece, de toda a hospitalidade que os habitantes oferecem, e de toda a cultura que vive pulsando embaixo de cada folha da Floresta Amazônica, que teimamos em achar que não se acabará nunca, mesmo sendo derrubada diariamente. O negócio é ir logo, antes que acabe. Depois, só teremos a oportunidade de conhecer o gosto da floresta abrindo uma garrafa ou uma lata.

Triste destino.  #Negócios