Há meses se arrasta a pendenga por falta d'água no estado de São Paulo. As eleições não tinham nem começado e as torneiras já estavam vazias. Falou-se muito nas propagandas políticas, mas o governador garantia que não haveria racionamento e que as condições hídricas estavam sob controle. Ao que tudo indica, ele conseguiu convencer seus eleitores e saiu-se vitorioso nas eleições. Foi reeleito. Mas parece que ele faltou com a verdade em relação à água. Não se sabe se por desconhecimento, por maldade ou por, simplesmente, ter apostado numa coisa, e errado. Deu outra.

Chegou até a dizer que iria pegar água no estado vizinho, o Rio de Janeiro.

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Outro logro, pois, desta vez é o Rio que sofre com a falta do líquido que ninguém dá valor quando tem, mas que, quando falta, deixa todo mundo louco.

Os reservatórios que abastecem o estado fluminense vão de mal a pior e já se prevê o uso do volume morto, que é como os técnicos chamam o "fundo do poço" que está abastecendo os paulistas já há algum tempo.

E assim como seu colega de São Paulo, o governador carioca mantém-se firme no discurso que não é necessário o racionamento. Talvez eles vejam tal necessidade só quando não houver mais água. Só que nesse momento, não há mesmo nem sentido em racionar, pois não há o que racionar. Os reservatórios contam com menos de 2% de sua capacidade. Tecnicamente estão vazios. E por que não se adotou medida de prevenção quando os níveis chegaram à metade.

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Minas Gerais é outro estado que luta desesperadamente contra a falta de água em seus reservatórios, e muitas cidades começam a administrar o prejuízo. Várias festividades carnavalescas já foram canceladas para evitar mais gastos de água. Na própria Minas, os municípios de Itabira, Sabará e Itapecerica já desistiram das folias. No Ceará, foi Paracuru que oficializou o cancelamento da festa. Em São Paulo, os municípios de Araras e Cordeirópolis também.

Pernambuco já contabiliza perdas significativas nos seus estoques de água e a oferta regular já diminuiu, causando um racionamento ainda não oficializado, mas já posto em prática, sem previsão de atrapalhar o carnaval. Evoé.

Como se vê, a grita por água é geral, e não adianta a administração municipal, estadual ou federal vir com palavras bonitas e esperançosas. É necessário que ações, mesmo indesejáveis, sejam tomadas. É melhor ter meio litro d'água por dia do que nenhum. O que não tem cabimento é essa enganação, deixando o povo gastar água (quando tem) sem que se preocupe com o dia de amanhã.

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O racionamento é mais do que uma ação para gastar menos água, é uma ação com fundo educativo que desperta nas pessoas a responsabilidade por aquilo que ela quer receber nas torneiras. Ter e não saber usar é fruto de falta de políticas educacionais coletivas. Nem toda educação é individual. Por isso, é necessário que os governos lancem a cara à tapa, divulgando arrochos para que se possa administrar a #Crise. Só dizer que vai dar tudo certo não resolve problemas, não enche tanques, nem molha a goela.

Pelo contrário: falar demais faz secar a boca. #Natureza