Começou 2015 e o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Junior surgiu propondo a volta do sistema de mata-mata para a disputa do campeonato brasileiro e a Rede Globo, eterna interessada, foi logo abrindo espaço para o tal dirigente. Nada mais natural, com o fracasso das tentativas de virada de mesa pelos meios tradicionais (criando uma lambança jurídica com ajuda do STJD), que tentassem a mudança na cara dura. Mas, não estou discutindo o mérito ou não da fórmula, mas sim o motivo pelo qual esse assunto volta à tona.

Uma das muletas favoritas dos dirigentes foi a “Lei Pelé”. Juram até hoje que ela quebrou os clubes brasileiros por transferir o lucro da transferência para o empresário.

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É claro, que é uma lorota. Os empresários, como o Juan Figer, estão no #Futebol desde o início dos anos 70: foi ele quem trouxe para o Brasil Figueroa, Pedro Rocha o Forlán pai, por exemplo. E é claro, os valores com transações continuaram aumentando e o motivo pelo qual os clubes tinham menos lucro é por que já estavam tão endividados que eram obrigados a depender da ajuda dos agentes, que dividiam esse lucro.

Nem tampouco a Lei Pelé deu maiores poderes ao jogador, foi uma decisão da corte europeia, que foi acatada e aplicada mundialmente pela FIFA. Mas você vai encontrar até hoje o discurso contra a lei, misturado com a lorota de que o futebol deve se modernizar. Nunca os dirigentes assumindo a própria culpa.

Assim é o discurso do mata-mata. O presidente do Grêmio (um time precisando de dinheiro com urgência) defendeu a fórmula como uma mudança necessária para o campeonato atrair mais público e audiência.

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Não importa se o público da era mata-mata também fosse ruim e que o público dos pontos corridos está crescendo, o que importa é tentar justificar a incompetência dos dirigentes em encher estádios culpando a fórmula do campeonato.

Quanto a audiência da televisão? A Rede Globo esculhamba o campeonato, transmitindo um torneio “alternativo” disputado por Corinthians e Flamengo. Não é o bastante que ela favoreça financeiramente de maneira abusiva esses dois clubes, temos de dizer que ela prejudica todo e qualquer outro clube que tendo um momento em alta, têm a oportunidade de ser divulgado a nível nacional restringida. Além de irritar o público, que tem interessem em ver os melhores times jogando e tem de engolir um critério estranho que não favorece os líderes. Ela simplesmente não gosta do produto, daí lamber os beiços com a chance de mudar a fórmula.

Porque o dirigente compra o discurso? Ele precisa de dinheiro, dinheiro que a Globo dá sem critério algum.

Aí não venham falar da espanholização do campeonato. Qualquer que seja a fórmula, a Globo vai continuar pagando muito mais para os dois clubes. O jeito de resolver não é mudando a fórmula, é mudando os dirigentes e a Globo.

Neste caso, pouco importa o argumento, defender o campeonato contra os interesses da Globo é uma questão de ética. Nem que eles prometessem aposentar o Galvão Bueno, eu apoiaria uma sugestão plim-plim.