Caso Marita Verón: parte 1 

Entenda o caso

Marita Verón, como era conhecida, tinha 23 anos quando foi sequestrada. Era casada com David Catalán e tiveram uma filha chamada Sol Micaela. No dia em que saiu de casa disse para sua mãe Susana Trimarco, que iria até o hospital para colocar um DIU. A vizinha de Marita, Patricia Soria, era enfermeira e sugeriu que ela pagasse pelo tratamento apenas 20 pesos (argentinos), sendo que em um médico particular sairia pelo valor de 315 pesos (argentinos). Segundo Patricia, seria mais fácil, rápido e barato ir até a maternidade porque ela tinha um namorado que trabalhava dentro do hospital.

Segundo as investigações de Susana Trimarco e da polícia argentina, o nome desse homem era Miguel Ardiles.

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Ela de fato encontrou Ardiles no hospital e foi atendida pelo médico Tomás Rojas, que inclusive indicou para Marita o uso do Papanicolau. O atendimento ficou para o dia seguinte. No dia da consulta estava com o documento de identidade nas mãos, disse para sua mãe ficar tranquila que logo voltaria.

Susana percebeu que a filha não regressou na hora marcada e decidiu ir com seu marido, Daniel Verón, procurar Marita na Maternidade. No mesmo dia Susana descobriu que Ardiles trabalhava na limpeza do hospital e que tudo se tratava de um grande engano. Susana fez o tradicional: ligou para as amigas e familiares. Ninguém sabia o paradeiro de sua filha.

A investigação

Susana descobriu através de declarações, que dois homens desceram de um carro vermelho e levaram Marita. De fato, ela foi sequestrada mas conseguiu fugir.

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Chegou na cidade de La Ramada, Argentina, a mais de 30 quilômetros da cidade de Tucumán. Quando pediu ajuda para a polícia local, eles a levaram até a delegacia e depois para o terminal de ônibus. Marita nunca chegou ao seu destino.

Marita foi vista na zona vermelha da cidade e as informações eram de que ela poderia estar na cidade de La Rioja. Muitas pistas falsas e verdadeiras chegaram até as mãos da polícia e de Susana Trimarco. As investigações levaram a três casas de mulheres que estavam em situação de prostituição forçada em La Rioja: Candy, El Candilejas e El Desafio (algum tempo depois o local recebeu o nome de La Isla). Em alguns momentos, movida pelo desespero, a mãe de Marita vestia-se como uma mulher em situação de prostituição e procurava por sua filha em diferentes casas prostíbulos que indicavam que viram ou que estiveram com Marita.

Aparece o nome de Daniela Melhein, Fátima M., Liliana Medina e dos filhos Gonzalo Gómez e Chenga Gómez. Fátima afirmou que foi transferida de La Rioja para Yerba Buena, Tucumán, e que lá esteve com Marita.

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Muitas mulheres, na mesma situação de Marita, conseguiram fugir e denunciar seus sequestradores. Todas eram obrigadas a se prostituir e, segundo relatos de algumas vítimas, Marita estava irreconhecível: com cabelos vermelhos, lentes de contato azuis, e era disputada nas casas onde trabalhava por ser famosa pela luta de sua mãe para encontrá-la. Outra vítima do tráfico humano foi Andrea R. Vinda de La Pampa, afirmou ter dividido cativeiro com Marita.

Susana Trimarco foi ameaçada de morte mais de uma vez. Depois que seu marido faleceu ela não desistiu da causa e continuou lutando. Conseguiu libertar muitas mulheres. Reuniu provas e dez anos depois começou o julgamento por sua filha. Foram 13 pessoas acusadas de sequestrar María de los Ángeles Verón para fins de exploração sexual. #Opinião