Desde sempre o homem foi temente aos deuses aos quais solicita, em preces, ajuda para manter-se vivo e ter sucesso em seus empreendimentos. Os primeiros desses trabalhos humanos a serem alvos das bênçãos divinas foram aqueles que proviam os alimentos. Nos tempos da caça, para que a procura fosse bem sucedida. Depois, quando já aprendera a cultivar, para que as plantas brotassem, e dessem bons frutos. A caça era imediata, já as plantações duravam estações. Demoravam tanto, que o homem deixou de ser nômade, se fixando ao lado das plantações.

E a cada ciclo completo das plantas - semear, cultivar, colher - o homem que passava o ano orando para os deuses, parava para agradecer a ajuda divina e festejar a colheita que lhe alimentaria nos próximos meses.

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Dessas festas saturnais, feitas em homenagem a Saturno, o deus do tempo, e das festas lupercais que festejavam a fertilidade, vieram o nosso Carnaval, que hoje as pessoas festejam sem ter noção do quê, nem porquê.

Mas se tudo isso é história, os efeitos deletérios da festa na vida das pessoas é pura realidade. Festa sempre foi motivo de alegria. As pessoas querem fugir do pesado e sério cotidiano que levam. Querem se divertir e aproveitar, e o Carnaval é a festa mais propícia para essa fuga da realidade em busca do prazer e da alegria.

É no Carnaval que as pessoas vestem fantasias e guardam a realidade sóbria ou sombria.

É no Carnaval que as pessoas se sentem alegres e dispostas a sentir os prazeres que a vida não permite ou, ao menos, dificulta.

É na folia que os amores efêmeros, festejados desde as lupercais, acontecem.

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E é nesses encontros, amorosos ou não, que os vírus e bactérias também fazem suas festas. São nesses momentos de ideais condições de pressão, temperatura e umidade, que milhares de pessoas serão infectadas por alguma doença.

Caso as defesas do organismo estejam funcionando bem, os efeitos podem ser minimizados. Caso contrário, o que é comum, é queda na certa. Atentemos para o fato de que as folias de Carnaval propiciam um desregramento geral que diminui as defesas do corpo, pois as pessoas comem mal, descansam mal, se hidratam mal e se esforçam acima dos limites. Simplesmente exageram!

Por isso são comuns os surtos de conjuntivite no período pós-folia. Infelizmente, não é só isso. Doenças como meningite, mononucleose, herpes, hepatite, AIDS, ou uma "simples" gripe ou um resfriado, são encontradas em número bastante alto após o Carnaval.

Desconhecimento e despreparo são as principais causas dessas contaminações. No afã de seduzir ou de ser seduzido, o folião nem pensa no perigo que um único beijo roubado ou ganho poderá trazer.

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Junto com o prazer passageiro da sensação, poderá vir uma demorada doença.

E se abrirmos o leque para além das doenças e olhar outras consequências, poderemos incluir a gravidez indesejada.

O festejo e a procura de alegria são típicos das festas desde aqueles tempos imemoriais, mas precisamos, assim como os antigos faziam, saber que amanhã há mais trabalho e preces a fazer. O mundo não acaba na festa. A comemoração é pelo que foi recebido, e é preciso estar vivo para o amanhã.

Se a Seleção Natural, como bem indicou Darwin, usa essas festas para manter o controle sob seu pesado jugo, não se sabe, mas certamente podemos brincar e ter muito prazer no carnaval, sem que precisemos colocar em risco nossa saúde ou nossa vida.

Quando não tomamos cuidado, erramos. Depois não adianta ficar fazendo oração. Deus nenhum vai atender ao pedido de irresponsáveis foliões. #Opinião