Em matéria jornalística veiculada pela Rede Globo de Televisão, a sociedade pode perceber que os detentos do Complexo Prisional do Curado, no Recife, continuam vivendo como bandidos, cometendo os mesmos crimes de antes, só que, agora, dentro dos muros, contra seus "colegas de situação" e contra a sociedade lá fora, através de contatos telefônicos.

Brigas, tráfico de drogas, porte de armas mais diversas, comércios de produtos legais ou não, fabricação de cachaça, lan-houses, e muito mais, tudo isso sob a proteção dos agentes de segurança que fazem "vista grossa" para a situação.

Alegam as autoridades que mais não pode ser feito por falta de recursos humanos (agentes) para cuidar, de um lado, e excesso de recursos humanos (criminosos) para ser cuidado, do outro.

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Talvez a opinião dos administradores do caos prisional seja expressa no seguinte pensamento: "Do jeito que a coisa vai, pelo menos, os detentos se comportam 'razoavelmente' bem e não criam caso." Isso não foi dito, pelo menos oficialmente, mas parece que é a ordem do dia.

Acontece que duas coisas não combinam nunca: irregularidades e denúncias. Diante da repercussão do caso, o Secretário de Ressocialização, Humberto Inojosa, pediu demissão, depois de ter afirmado que a situação é de difícil controle por causa das contínuas "encomendas" enviadas por cima dos muros, por familiares, amigos e comparsas dos presos. São celulares, facas, drogas e todo o tipo de material que queiram fazer chegar até o interior do presídio, em um fluxo que não pode ser impedido.

Não fica de fora das desculpas, o grande número de detentos: chegam a representar, em média, o triplo da capacidade que o Estado tem.

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No presídio onde as cenas foram filmadas pela equipe de jornalistas, a superlotação supera em cinco vezes a sua capacidade nominal. A sugestão, então, é a construção de novos presídios.

É curioso como o ser humano resolve tudo com simplicidade mágica, porém nunca dá jeito nas dificuldades. Se o problema é a falta de recursos humanos nas prisões já existentes, como então a construção de mais prisões vai resolver o problema? Se analisarmos bem, só vai piorar, pois a falta de agentes vai ficar mais contundente.

Claro que não vamos, aqui, encerrar o assunto, nem temos a pretensão, mas não podemos nos iludir que a solução seja uma tão simples ação de engenharia civil, como a construção de um ou dez, ou cem, não importa quantos, presídios. Nem a, tão somente, contratação de mais policiais, agentes ou quem quer que seja para o staff da segurança.

É preciso que a #Justiça se torne ágil, para evitar distorções em seus atos;

É preciso que a Educação seja incentivada, para evitar descaminhos do povo;

É preciso que a Economia do país funcione, para dar oportunidade às pessoas de viverem sem precisar recorrer ao ilícito;

Que mais você daria como urgência nessa lista de "É preciso?"

É preciso tanta coisa, que, de repente, é mais cômodo, fácil e econômico, deixar as coisas do jeito que estão.

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De vez em quando a Mídia denuncia, troca-se o diretor disso, o secretário daquilo, o comandante de não sei-o-quê, e todo mundo esquece, até porque esse filme a gente já viu e sabe o final. Não muda nada.

Aguardemos, pois, os próximos flagras jornalísticos. #Crise