Assim que o carnaval chegar ao fim e os últimos confetes forem varridos das ruas, os docentes de ensino superior do país terão compromisso já agendado: Participar do 34º Congresso do Andes, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, que será realizado em Brasília entre os dias 23 e 28 de fevereiro.

A pauta, recheada de reivindicações, tem como mote principal a "manutenção e ampliação dos direitos dos trabalhadores: avançar na organização dos docentes e enfrentar a mercantilização da #Educação."

Das resoluções que serão obtidas, podemos esperar que exijam melhoria no Sistema Educacional, o que pode ser bom.

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Mas também podemos ser brindados com um indicativo de greve nas universidades e institutos federais, o que pode ser ruim. Uma ação, entretanto, não exclui a outra e é possível que ambas sejam postas em prática, atrapalhando ainda mais o andamento dos cursos, pesquisas e a formação de profissionais que o país tanto precisa.

Aparentemente, uma paralisação é muito ruim para a sociedade, mas é preciso que outros pontos sejam mostrados, algo que a mídia não se encarrega de fazer. Parar é ruim, mas continuar pode ser pior. Ou impossível.

O #Governo consegue segurar a divulgação de notícias contra sua administração fazendo pressões econômicas às empresas de comunicação, que sobrevivem de gordas verbas publicitárias governamentais. Por isso as greves demoram três, quatro meses e a população nem sabe que elas existem porque essas matérias não entram na pauta das redações.

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Quando acontece da greve ser notícia, a ênfase é o prejuízo que está causando à vida acadêmica dos estudantes ou à própria população, fazendo com que as pessoas se posicionem contra os grevistas, como se eles fossem bandidos na história, quisessem praticar maldades e ganhar salário sem trabalhar. Muita gente acaba acreditando nessa mentira contada tantas vezes.

Há até quem prefira entrar noutras instituições de ensino, alegando que "tem interesse em concluir o curso", fazendo jocosa referência aos diversos adiamentos das aulas que as greves das instituições federais apresentam, prolongando o curso e jogando para mais longe a conclusão deles.

As reuniões que se realizarem durante o Congresso e suas resoluções deveriam ser matéria das grandes mídias em seus noticiários, como são as apurações que a Polícia Federal e a Justiça fazem na operação Lava-Jato ou no Petrolão, por exemplo.

É preciso que a população fique inteirada dos problemas, anseios, competências e obstáculos que os professores têm para cumprir sua tarefa diária.

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Na fantasia de um cidadão comum, um professor só precisa de uma sala de aula, quadro, bancas escolares e alunos. A realidade é bem diferente. Se essa estrutura não funciona em uma escola de bairro, imagine em uma universidade.

É direito do povo ter educação de qualidade e gratuita e, para isso existir na realidade, como prevê a Constituição, os professores têm que reivindicar mesmo as melhorias das condições que existem, a manutenção dos direitos que já foram conseguidos e a criação de outros tantos, tanto para eles como para os alunos e para a sociedade em geral.

A luta deles é para toda a sociedade. É para que as pessoas consigam ter condições de estudar e aprender. Para que as pessoas não fiquem reféns de políticos abusadores da boa-fé dos eleitores. Para que as pessoas consigam entender os malefícios da corrupção e tentem evitá-la.

Ainda está difícil, mas a gente (ou agente?) chega lá (ou chega lar?) Socorro! Um professor, por favor!