Uma empresa paralela, dentro do padrão da Petrobras, é aquela criada com o objetivo de realizar obras de grande porte sem que se submeta à fiscalização rigorosa dos órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União). É conhecida como SPE (sociedade com propósito específico). Representa uma entidade legal para captar recursos no mercado para executar obras e programas junto a empresas independentes da Petrobras. Razão para que o TCU faça o alerta de que pode causar uma expansão descontrolada. Instrumento facilitador de superfaturamentos - um deles estaria no indício levantado por auditoria sigilosa na construção da rede de gasodutos Gasene, de 1 800%! Barbaridade! O TCU condena as SPES.

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Lançando mão de uma empresa privada, a nossa maior estatal se vê livre de fiscalização como as demais estatais e órgãos do governo. Eis a razão de já ter construído 24 empresas paralelas, que devem ter chegado a um investimento entre 59 e 60 bilhões, geralmente em obras como gasodutos, refinarias, plataformas e transporte de óleo.

Tal situação mostra como o país gasta mal, a partir de sua grande estatal. Em todo o mundo, há exemplo de países com grandes reservas de petróleo, e já que têm abundância de reservas de petróleo, podem desprezar outras formas de produzir riquezas. Grandes exportadores, além de gastarem mal, têm governos autoritários. Esta é a conclusão a que chegou o cientista americano Michael Ross, entrevistado pela revista Veja, em dezembro p.p., ressaltando existirem "sintomas de maldição que transforma países exportadores de petróleo em ditaduras".

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Mas como se pode acreditar nisso quanto ao Brasil se somos um país democrático?

Esta é a grande questão. Vamos pensar juntos. Qual a grande motivação que gerou o escândalo da Petrobras? Simplesmente levantar dinheiro, enriquecer alguns pelo desfalque de milhões ou até bilhões? Ou mais, como, por exemplo, a manutenção do poder? O cientista político aqui citado, um observador internacional que conhece estratégias governamentais em todo o mundo, assinala: "Quando o PT foi eleito, em 2002, o preço do petróleo estava baixo. De lá para cá foram doze anos de valores altos. A regra é que, quando isso acontece, o governo tem mais dinheiro para comprar apoio popular". Se recorrermos aos episódios do mensalão e do petrolão, verificaremos que, no segundo, os recursos financeiros advieram de fontes da Petrobras, aos quais se acrescentaram os das empresas paralelas. Recursos financeiros fortalecem o poder de governar, de ganhar eleições. Favorecem o abuso de poder, a corrupção, criam formas autoritárias de aplicar a lei, aplicam contundentes normas políticas e administrativas.

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Compram consciências. Num extremo, criam o poder de corromper como no petrolão. Mais que isso, estabelecem a ditadura, em simulação de democracia, como vimos.

Exemplos de SPES da Petrobras: Gasene (transportadora), Charter Development (fretes), CDPI (construção e aluguel), Transportadora Urucu-Manaus, Companhia Mexilhão do Brasil (plataforma), fortes nos governos do PT. Algumas já incorporadas a subsidiárias da Petrobras.

Há muito o que falar, mas o essencial foi dito. Há a Síndrome da riqueza fácil. Para o país? Huummmm... #Opinião