Caso Marita Verón: parte 2

Julgamento

O tráfico de pessoas para fins de exploração sexual na Argentina afeta principalmente as mulheres, em um número que chega a 98% dos casos. O tema exploração sexual ganhou muitas definições e conceitos conforme avançou os estudos no país. Segundo dados da UFASE-INECIP (Argentina), a lista com porcentagem dos sequestros com fim de exploração sexual de acordo com as nacionalidades: 

  • Argentina: 51%
  • Paraguai: 36%
  • Dominicana: 3%
  • Peruana: 1%
  • Boliviana: 1%
  • Brasileira: 1%
  • Sem dados: 7%

María de los Ángeles Verón é argentina e foi sequestrada em abril de 2003 (saiba mais aqui), quando não havia no país uma lei contra o tráfico de pessoas.

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Depois da luta de Susana Trimarco para levar a julgamento todos os acusados de sequestrarem, transferirem e obrigarem Marita a trabalhar em situação de prostituição, em 29 de abril de 2008 foi promulgada e passou a existir a lei 26.364 de "Trata de Personas, Prevención y asistencia a sus víctimas".

No caso Verón os condenados não foram julgados por essa lei porquê ela foi sancionada somente em 2008, e o crime aconteceu em 2003. Eles foram julgados e condenados por sequestro, translado, cárcere privado e exploração sexual.

No dia 08 de fevereiro de 2012 aconteceu em Tucumán, na Argentina, o primeiro julgamento por Marita Verón que durou 10 meses até a sentença final. Foram ouvidas 130 testemunhas, inclusive vítimas de exploração sexual que afirmaram que estiveram em algum momento com Marita.

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Todas tiveram a identidade preservada. Mesmo com todas as declarações, os juizes Alberto Piedrabuena, Eduardo Romero Lascano e Emilio Herrera Molina absolveram todos os acusados por falta de provas. Susana Trimarco ouviu a sentença calada.

Lista dos nomes dos acusados:

  • Daniela Milhein, Alejandro Gonzalez, Liliana Medida, Victor Rivero, María Inés Rivero, Pascual Andrada, Gonzalo Gomez, Chenga Gomez, Mariana Bustos, María Azucena Marquez (também era conhecida por Claudia), Carlos Luna,Cinthia Gaitán e Humberto Derobertis.

No dia 25 de fevereiro de 2013 Liliana Medida (ou Lidia Irma Medina) faleceu depois de sofrer 11 paradas cardíacas. Ela estava sendo acusada de gerenciar os prostíbulos Desafio, Candy e Candilejas e de obrigar a Marita Verón a prostituir-se. A ação penal contra ela foi extinguida depois da sua morte.

No dia 08 de abril de 2014, aconteceu um novo julgamento e a corte Tucumana anulou a absolvição dos condenados. Dos 13 acusados, dois foram absolvidos: María de Jesús Rivero e Víctor Rivero.

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Condenados pelo caso Marita Verón:

  • Daniela Natalia Milhein: condenada a 18 anos de prisão por ocultar a presença de Marita em sua casa, privá-la de liberdade e beneficiar-se financeiramente.
  • Alejandro Gonzalez: condenado a 18 anos de prisão por sequestrar Marita Verón, por privá-la de liberdade e beneficiar-se financeiramente.
  • Domingo Pascual Andrada: condenado a 17 anos de prisão. Ex policial tucumano responsável por transladar mulheres na província de Tucumán.
  • José Fernando "Chenga" Gomez: condenado a 22 anos de prisão por ser o líder da organização e por receber mulheres traficadas que chegavam em La Rioja.
  • Gonzalo José "Chenguita" Gomez: condenado a 22 anos de prisão por ser o co autor do irmão e privar Marita de sua liberdade para obrigá-la a prostituir-se.
  • Mariana Natalia Bustos: condenada a 10 anos de prisão por participação no crime. Esposa de José Fernando "Chenga" Gomez.
  • María Azucena Marquez: condenada a 15 anos de prisão por ser responsável em controlar as mulheres sequestradas e por ser participante no crime.
  • Carlos Luna: condenado a 17 anos de prisão por ser o proprietário dos prostíbulos Candy e Candilejas. Privou Marita de sua liberdade.
  • Cinthia Paola Gaitán: condenada a 10 anos de prisão por ser sócia dos irmãos Gómez. Era a administradora dos prostibulos Candy e Candilejas.
  • Juan Humberto Derobertis: condenado a 12 anos de prisão por ser "o mão direita" de José Fernando "Chenga" Gomez no prostibulo El Desafío.



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