Uma tragédia aérea insiste em magoar nossas tediosas vidas em vias de festejar mais um ano que chega ao fim. Não fossem os temporais que assolam, agora, a parte meridional do Brasil, talvez estivéssemos mais abalados com a queda de um avião no sudeste asiático. O pior da história é o gosto amargo do dejà vu. Tanto aqui, quanto lá.

A chegada do verão não tem sido fácil para os brasileiros nos últimos anos. Chuvas e ventos têm sido os responsáveis por desastres constantes durante as festas de fim de ano. Niterói, Búzios, Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, foram algumas cidades fluminenses que se fizeram falar nos noticiários por causa das grandes perdas humanas e patrimoniais devidos às quedas de barreiras, deslizamentos e inundações.

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Os outros estados do Sudeste e Sul do país não ficam isentos de figurar na lista de destruição.

Os ambientalistas alarmistas teimam em gritar aos quatro cantos do mundo que o efeito estufa, o aquecimento global, a poluição, e outras razões são os principais causadores dos desastres dos quais somos vítimas. Será que eles esquecem, não vêem, ou simplesmente a mídia não divulga que a ação do homem no seu local de morada tem muita influência na causa desses desastres? Casas, prédios, favelas, comunidades, conjuntos habitacionais e tudo o mais invadem o espaço que era usado naturalmente pelos rios e florestas. Na hora que a #Natureza precisa do espaço, percebe que foi invadido e, agora, é um amontoado de construções e com gente morando. Como uma revanche, ela retoma suas propriedades que foram usadas sem que fosse pedida licença, também. Se morrer gente, problema! A Natureza não faz conta. Ela vai em frente. Seja perdendo terra, árvores, alagando ou secando terrenos, o meio ambiente se adequa àquilo que os homens oferecem para ele. A contrapartida, entretanto, não é de fácil uso para o homem: ele não consegue se adequar quando é a Natureza que impõe a jogada. Ele é muito pequeno e frágil. Talvez, por isso, ele devesse ter mais respeito quando pensa em construir uma casa aqui, outra ali, e desmatar um terreno para fazer uma “melhoria”. O preço a ser pago é alto. Será que teremos a capacidade de perceber isso, ou seremos forçados a, ano a ano, receber notícias de novos desastres, novas mortes para manchar nossas festas? Será que essas mortes e famílias destruídas são apenas como os fogos de artifício da virada de ano, que depois que apagam não servem mais para nada?

Entre o estouro do champanhe, dos fogos de artifícios, dos raios e trovões e das casas caindo ao chão parece não haver muita diferença. Somente no sentimento eliciado em quem vive e no tamanho do barulho.